quinta-feira, 25 de junho de 2009

O triste fim da vida

Escolhi de propósito um quadro de Picasso. Assim ninguém vai achar que parece com A ou B. Sem falar mal do Picasso...

Bom quero falar sobre a morte.
Não é a primeira vez que falo aqui sobre morrer. E nem será a última. Nada mais natural, uma vez que nascemos, que outro destino poderíamos ter?

Começamos a morrer no dia em que nascemos. Do berço à sepultura é um átimo no tempo. Ficam nossas boas ações, ou más, e com certeza não teremos agradado a todos.

Mas hoje queria me ater a um fato cruel em nossa sociedade. A solidão daqueles que estão para morrer.

E para que não fique alguma coisa muito abstrata vou contar o milagre sem falar qual o santo.

Uma pessoa que não conheço, mas que é conhecido de gente muito próxima a mim, está morrendo.

Como a morte sempre tem uma desculpa, esta pessoa está com uma doença incurável, para a qual a medicina ainda não tem solução.

E é uma pessoa que sofre.

Não vou fazer apologia ao moribundo, nem dizer que ele era uma ótima pessoa, ou é ainda, mas vou falar da solidão.

Nestas horas, ou você tem muito dinheiro ( olha que terror), ou se torna um estorvo para a família.

Um filho não pode acompanhar no hospital porque mora em outro estado. A filha não pode porque tem emprego, a ex mulher está dando aleluias que ele se vá logo, e os que ainda cuidam reclamam do infeliz que não pode ir ao banheiro sozinho, que tem de ser alimentado na boca...

E isso me faz lembrar de um velho ditado mineiro: Um pai cuida dez filhos, e dez filhos não cuidam um pai.

Fosse o velho rico, estariam todos à sua volta, mas não é. Não vou ater-me apenas ao lado material. Existe também a angústia dos que o amam, que nada podem fazer a não esperar que a morte o livre do sofrimento, que pode estender-lhe por semanas.

Nestas horas eu francamente sou pela eutanásia, ou pelo menos pela ortonásia, e penso em que um dia serei eu, a depender de uma alma caridosa a me trocar a roupa suja, a me dar um gole de água. Se dependesse de mim, gostaria de morrer dormindo, em meio a um sonho gostoso, que se desvaneceria e eu iria para lugar algum. Também não iria querer aquele ambiente todo asseptico de um hospital, cheirando a desintante ( logo eu que tenho horror ao cheiro de cloro) e família á minha volta, esperando o médico dizer: foi-se.....para então começarem as brigas por despesas com velório e sepultamento.

Gente, gente...Paguem estas porcarias enquanto podem. Decidam se querem doar órgãos, se querem ir para hospital quando estiverem mal, se querem ser sepultados ou cremados. Deixem isso claro, e se tiverem bens, deixem claro também quem fica com o que.

Mas se forem pobres como este infeliz que tem vivido de caridade de filhos ( também nunca foi bom pai), e agora o que pode esperar.

Desejo que se vá logo. Quando não há mais remédio, remediado está. E que descanse, embora eu seja atéia de carteirinha, quem sabe estou errada? E que dê descanso à família.

Serve para pensarmos na efemeridade da vida. Em que nossas vidas são muito curtas, e que jamais queremos pensar que um dia ela acaba. Mas acaba, então por que não deixar tudo organizado? Milagres acontecem? Raramente. Este sujeito vai melhorar? Não, a doença dele não permite melhoras. O que o pobre ainda está sofrendo aqui? Nestas horas eu acho o mundo muito cruel. Morrer deveria ser evaporar, sumir, desintegrar-se, e da pessoa restar apenas o que ela deixou de bom ou de mau.

Desculpem tão triste texto, mas os filhos vão chorar uns dias, e a vida continua. Esta é a lei.


Tempo de Reflexão


Todo mundo precisa um tempo de reflexão, vez por outra.

Para interiorizar-se, pensar no que já viveu, no que quer fazer. Se não houvessem estes tempos, estas pausas seríamos extremamente robotizados.

E eu tenho meus tempos. Fecho-me dentro de mim, coloco no piloto automático e vou vivendo a vida sem muito alarde, ponderando no que já houve, no que possivelmente haverá, nos erros e nos acertos.


É assim que se cresce. Escolhi esta figura horrorosa, para fazer pensar mesmo. Nem sempre tudo são flores na vida. Muitas vezes as nuvens são densas, como em um filme de terror.
Faz algum tempo que não venho aqui. Mas não estava ausente. Estava apenas dentro de mim mesma, analisando meus passos na vida.
Quantos fazem isso? Quantos dão paradas no dia a dia e pensam em suas existências? Quantos deixam de se robotizar por um mês, dois, um ano? Não há um juiz para dizer: É você tem agido certo. Não, não tem. Mas você mesmo pode se avaliar.
Não estou dizendo que você tem que ser o bonzinho, o perfeito. Nem tem que ser nada, quantas vez digo isso? Mas precisa estar feliz consigo mesmo.
E de repente nos sentimos automatizados, e não sabemos se estamos indo junto com o rebanho ou estamos sendo nós mesmos. Aí é a hora de parar e pensar. Quem sou eu? O que tenho eu feito por essa pessoa que vejo no espelho? Eu me reconheço ou a cada vez que me olho me pareço mais estranha?
E então é o momento, doa o quanto doer, de retomar o caminho que você quer. Não o que a sociedade lhe impõe, coitada, ela não tem este poder. Mas você tem, e deve, para seu próprio bem, ser você, do jeito que gosta, sem querer saber se agrada gregos ou troianos.
Porisso estive olhando o mundo de fora. Consertei umas coisas, mexi em outras, e finalmente me encontrei e gostei da pessoa que vi no espelho.
Pelo menos consegui sorrir para ela, e dizer: Ah! Afinal nos encontramos de novo!
Por vocês mesmos, façam seus tempos de reflexão. Não é preciso se isolar nas montanhas do Tibet. Nem deixar seu emprego. Nada. Mas analise cuidadosamente o que está dentro de seus pensamentos, se está contaminado ou se é tudo seu. Exclua o que não for seu. Vai se sentir muito melhor!


segunda-feira, 8 de junho de 2009

Resposta a um comentário

Marco disse...
Oi amiga Márcia! Prazer comentar pela primeira vez aqui. Eu já conhecia seu blog. Temas muito interessantes mesmo. Gosto demais destes temas da "juventude de nossos dias" e dos "psicopatas". Apesar de trabalhar na área da saúde, não sou psiquiatra. Por isso, foi bom relembrar algumas coisas bem "curiosas" sobre os psicopatas. Por exemplo, o fato de que podem viver uma vida inteira sem causar maiores danos. Não procurei estes dados na web, mas você sabe me dizer as estimativas que fazem sobre qual o percentual de psicopatas na população humana? Recentemente, assisti um documentário na TV à cabo sobre os assim chamados na psiquiatria de "Distúrbios de Personalidade" ("psicopatas"), e seus subtipos. Era da BBC inglesa, com legendas. Conheço alguém próximo ao meu convívio que tem o diagnóstico fechado quanto a este problema. Acho essa a mais emblemática das doenças em toda a medicina, pois é MUITO "curioso" (ou triste) quando confrontamos a pessoa doente, MOSTRAMOS a ela que a conduta x, y e z delas são de uma grave doença e, mesmo assim, eles não têm a capacidade de enxergar a realidade. Incrível! Uma espécie de "cegueira de alma"(perdão, mas você sabe das minhas conviccções de que somos corpo e espírito e de que NADA no Universo é por acaso). É mesmo defeito de fábrica! A medicina já tentou de tudo para curar, e nada! Como um psiquiatra famoso aqui em SP já comentou, "é a AIDS da psiquiatria". Curiosidade: o psiquiatra que ouvi comentar isso é um poço de frieza e narcicismo que POUQUÍSSIMAS VEZES vi na vida. MUITO inteligente, é fato, inclusive sendo chefe da psiquiatria de um IMPORTANTÍSSIMO hospital aqui de SP. Mas se você ouvisse o que EU ouvi ele falando ao celular, próximo de onde eu estava... Não deixa de ser macabro: o perigo assim, tão próximo e disfarçado de inteligência. Fecho o diagnóstico para ele??? ;) Beijão!


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Caro Marco, obrigada pelo feedback.



É sempre bom receber algum estímulo, isto me faz continuar.

Infelizmente, Marco, cerca de 2% da população tem psicopatia em um determinado grau. Nem sempre a vida toda, algumas vezes são episódios, mas eu sou das que acredita, se aconteceu uma vez, não importa em que recôndito da "alma" está guardado, pode acontecer de novo.



Você diz "confrontar" um psicopata? Que coragem...



Mas não sei se podemos ter diagnósticos fechados. Cada cabeça, uma sentença, e de médico e de louco todos nós temos um pouco. O narcisista é um dos piores que conheço, pois é difícil de ser diagnosticado. Tem quem diga que tenho uma pirraça pessoal com eles, talvez seja fato. Mas fato mesmo é que pouco a terapia pode fazer por estes infelizes. Prefiro recomendar distância, não a eles, mas deles!



Escreva sempre. Foi um prazer receber seu comentário, e decidi publicá-lo.