
Creio que este texto seja mais sociológico que psicanalítico, mas há algo de convergência nas duas coisas.
Viver é uma das mais difíceis artes. Não é algo que se faz sem pensar. Cada pequena atitude nossa se reflete em uma gama imensa de conseqüências.
Vou falar sobre um monstro que muitos conhecem e que pode destruir mais que uma arma. Vou falar um tipo maldito e sua táticas.
Há um tipo de manipulador que se faz de coitado, de sofredor, de infeliz, de vítima.
Ele jamais é culpado de nada, muito pelo contrário, ele é a figura da bondade. Todos na cidade o conhecem, mas não sabem quem é a peste dentro de casa.
Se sai com a família é apenas sorrisos, gentilezas, mas dentro de casa é uma besta fera.
Ele arma as situações mais esdrúxulas para que as coisas saiam erradas, porque precisa culpar alguém. Não fica feliz jamais se não tiver reclamações a fazer.
Chega ao cúmulo de sugerir atitudes á família, para que quando esta atenda, ele negue que sugeriu e venha com um saco de impropérios.
Ele manipula tudo para poder ter o que reclamar, e adora gritar.
Adora ameaçar.
Ameaça sair de casa e deixar a família na miséria, alegando que é maltratado, mas se for paparicado reclama que não tem um minuto de sossego dentro de casa, aproveita a deixa e sai, sabe-se lá para onde.
Se a água do chuveiro está quente demais é culpa de alguém que “deve” ter mexido no chuveiro, logicamente a água não ficaria quente por nada... Se alguém fica doente é culpa da pessoa que “quer” gastar com médicos e remédios.
E enquanto isso ele pede à filha que vá lá fora debaixo de chuva pegar algo que ele deixou propositalmente, para um dia poder causar-lhe uma gripe.
Tem que ser fiscalizado vinte e quatro horas por dia, pois gosta de desaparecer com objetos de primeiríssima necessidade, para poder culpar alguém pelo desaparecimento daquilo.
Esbarra “acidentalmente” em um vaso de flores para culpar o gato, pois quando se descobre o dano ele está assistindo um filme, e nada viu.
Desaparece com correspondência importante que o filho está esperando de um emprego ao qual se candidatou, para depois poder chamá-lo de vagabundo, de inútil.
E não é só o homem que faz isso. Pode ser a mulher. Pode ser a mãe dela, a mãe dele. Pode ser qualquer um na casa.
É uma doença. Esta pessoa só fica feliz de fato quando consegue ver lágrimas nos olhos dos outros.
É aquela pessoa que come além do necessário, apenas para não sobrar para quem vai chegar mais tarde.
E sempre se precavendo para passar pelo cúmulo da bondade, um exemplo de ser humano.
É capaz de riscar o carro com uma pedra ou tesoura, para depois culpar a família toda. É capaz de esconder um artigo de primeira necessidade e colocá-lo no local mais impossível.
Estas atitudes são patológicas, claro, e são de manipulação, pois o ofendido é quem as arma, e geralmente é quem vai ser o prejudicado.
Sugere muito, se fazendo passar por bom. Passeios, viagens. No caso de um marido faz a mulher reservar hotel, reservar passagens, e depois desaparece com o dinheiro que estava guardadinho, culpando alguém, passando-se por vítima.
Agora não podemos mais ir! Mas eu acho o infeliz que fez isso!
E instiga a dúvida entre os moradores da casa.
Chega aos limites de sumir com trabalhos escolares prontos que os filhos deveriam entregar apenas para poder xingar, chamá-los de irresponsáveis.
Louco? Não. Ruindade patológica. A única forma que acha de ser feliz.
É impossível conviver com pessoas assim. Totalmente impossível. E geralmente são as que detem o poder econômico, de tal modo que os familiares agüentam por falta de opção.
Já vi isso tanto em mulheres como em maridos. Já vi isso em sogras e em filhos.
Não concordam com tratamentos psicológicos de ninguém, dizem que é frescura.
Então venho com uma pergunta: Até onde se pode agüentar? Até onde se deve ir?
Quando a situação chega a limites, alguém tenta até o suicídio, ainda acha quem culpar.
É muito difícil. Porisso tantas tragédias acontecem em família.



