sábado, 19 de setembro de 2009

Indústria do Medo



De repente você só ouve falar em gripe suína, Tamiflu e vacinas. E você não é de ferro! Isto dá neura. Especialmente se você começa a ver TV demais, ou a ver sites que têm compromisso sabe-se lá com quem.


Ora, vamos ser francos. Nós sabemos que a ganância de certos grupos não tem limites. Que lhes importa se morrerem 5 mil, 10 mil, contanto que as contas bancárias engordem na casa dos milhões de dólares?
Não sejamos ingênuos. Há algo de podre no Reino da Dinamarca. Ninguém explica nada a ninguém, a boataria corre solta. Aproveitam um momento de crise econômica, e explodem uma neurose coletiva. O pior é que o povo aceita sem questionar.
Que existe algo sinistro, isso existe. Mas eu diria sem medo de errar que nisso, nós brasileiros levamos vantagem. Nós sempre fomos desconfiados. Não deixamos algo assim ( vide figura) sem que seja explicado, e não é qualquer explicação que nos convence.
Não nos pegamos em que: "Está na Constituição..." E daí? Não aceitamos nada suspeito. O brasileiro por sua mistura étnica é de natureza mais esperto, mais malicioso, e alguém venha me dizer que isso é ruim, para ver...
Nossos colegas de planeta sempre confiaram demais. Nós não. Não vou dizer que aqui é o paraíso na Terra, porque não é. Mas sempre me causou espécie que tantos de nós saíamos da nossa zona de conforto para ir tentar ficar rico. Bom, agora parece que a situação se inverte, e vai ser muito engraçado se gringos pelejarem para conseguir o nosso yellow card aqui. Vou rir muito.
Isto aqui, em um blog de psicanálise, é para mostrar que jamais se deve considerar algo como garantido. A arrogância deles era mundialmente conhecida. Está mudando muito... E como!
Amigos, o que importa chama-se consciência em paz. O resto que se lixe. Não tivemos os carrões de luxo, nem as mansões hipotecadas, mas tínhamos nossos carrinhos que andavam e nossas casas ou apês pagos ou dentro de um esquema de pagamentos que cabia em nosso magro orçamento. Não começaram de repente a nos deixar na rua da amargura.
Isso em parte por sabermos colocar o chapéu onde a mão alcança. Por outro lado, porque não confiamos integralmente em ninguém. Temos nossos defeitos, sim. Quem não os tem? Mas não nos pegaram de calças nas mãos.
Depois o brasileiro tem uma vantagem. Onde comem tres, comem quatro. Onde dormem cinco, dormem seis. Temos e que tenhamos sempre, aquele dom de pensar nos outros. Nunca achamos que se o filho tem 18 anos é hora de largar o ninho. Larga-se o ninho quando se pode. E aqui é comum muitos trabalharem para manter uma só casa.
Poderia falar horas sobre nossas diferenças, mas todos já sabem. E sabemos também para quem são os caixões da figura.
Terrível, mas verdadeiro. Sou atéia, mas se vocês não são, que seu deus tenha piedade deles.
Nós estamos bem, obrigada, acostumados com nossos problemas.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O triste fim da vida

Escolhi de propósito um quadro de Picasso. Assim ninguém vai achar que parece com A ou B. Sem falar mal do Picasso...

Bom quero falar sobre a morte.
Não é a primeira vez que falo aqui sobre morrer. E nem será a última. Nada mais natural, uma vez que nascemos, que outro destino poderíamos ter?

Começamos a morrer no dia em que nascemos. Do berço à sepultura é um átimo no tempo. Ficam nossas boas ações, ou más, e com certeza não teremos agradado a todos.

Mas hoje queria me ater a um fato cruel em nossa sociedade. A solidão daqueles que estão para morrer.

E para que não fique alguma coisa muito abstrata vou contar o milagre sem falar qual o santo.

Uma pessoa que não conheço, mas que é conhecido de gente muito próxima a mim, está morrendo.

Como a morte sempre tem uma desculpa, esta pessoa está com uma doença incurável, para a qual a medicina ainda não tem solução.

E é uma pessoa que sofre.

Não vou fazer apologia ao moribundo, nem dizer que ele era uma ótima pessoa, ou é ainda, mas vou falar da solidão.

Nestas horas, ou você tem muito dinheiro ( olha que terror), ou se torna um estorvo para a família.

Um filho não pode acompanhar no hospital porque mora em outro estado. A filha não pode porque tem emprego, a ex mulher está dando aleluias que ele se vá logo, e os que ainda cuidam reclamam do infeliz que não pode ir ao banheiro sozinho, que tem de ser alimentado na boca...

E isso me faz lembrar de um velho ditado mineiro: Um pai cuida dez filhos, e dez filhos não cuidam um pai.

Fosse o velho rico, estariam todos à sua volta, mas não é. Não vou ater-me apenas ao lado material. Existe também a angústia dos que o amam, que nada podem fazer a não esperar que a morte o livre do sofrimento, que pode estender-lhe por semanas.

Nestas horas eu francamente sou pela eutanásia, ou pelo menos pela ortonásia, e penso em que um dia serei eu, a depender de uma alma caridosa a me trocar a roupa suja, a me dar um gole de água. Se dependesse de mim, gostaria de morrer dormindo, em meio a um sonho gostoso, que se desvaneceria e eu iria para lugar algum. Também não iria querer aquele ambiente todo asseptico de um hospital, cheirando a desintante ( logo eu que tenho horror ao cheiro de cloro) e família á minha volta, esperando o médico dizer: foi-se.....para então começarem as brigas por despesas com velório e sepultamento.

Gente, gente...Paguem estas porcarias enquanto podem. Decidam se querem doar órgãos, se querem ir para hospital quando estiverem mal, se querem ser sepultados ou cremados. Deixem isso claro, e se tiverem bens, deixem claro também quem fica com o que.

Mas se forem pobres como este infeliz que tem vivido de caridade de filhos ( também nunca foi bom pai), e agora o que pode esperar.

Desejo que se vá logo. Quando não há mais remédio, remediado está. E que descanse, embora eu seja atéia de carteirinha, quem sabe estou errada? E que dê descanso à família.

Serve para pensarmos na efemeridade da vida. Em que nossas vidas são muito curtas, e que jamais queremos pensar que um dia ela acaba. Mas acaba, então por que não deixar tudo organizado? Milagres acontecem? Raramente. Este sujeito vai melhorar? Não, a doença dele não permite melhoras. O que o pobre ainda está sofrendo aqui? Nestas horas eu acho o mundo muito cruel. Morrer deveria ser evaporar, sumir, desintegrar-se, e da pessoa restar apenas o que ela deixou de bom ou de mau.

Desculpem tão triste texto, mas os filhos vão chorar uns dias, e a vida continua. Esta é a lei.


Tempo de Reflexão


Todo mundo precisa um tempo de reflexão, vez por outra.

Para interiorizar-se, pensar no que já viveu, no que quer fazer. Se não houvessem estes tempos, estas pausas seríamos extremamente robotizados.

E eu tenho meus tempos. Fecho-me dentro de mim, coloco no piloto automático e vou vivendo a vida sem muito alarde, ponderando no que já houve, no que possivelmente haverá, nos erros e nos acertos.


É assim que se cresce. Escolhi esta figura horrorosa, para fazer pensar mesmo. Nem sempre tudo são flores na vida. Muitas vezes as nuvens são densas, como em um filme de terror.
Faz algum tempo que não venho aqui. Mas não estava ausente. Estava apenas dentro de mim mesma, analisando meus passos na vida.
Quantos fazem isso? Quantos dão paradas no dia a dia e pensam em suas existências? Quantos deixam de se robotizar por um mês, dois, um ano? Não há um juiz para dizer: É você tem agido certo. Não, não tem. Mas você mesmo pode se avaliar.
Não estou dizendo que você tem que ser o bonzinho, o perfeito. Nem tem que ser nada, quantas vez digo isso? Mas precisa estar feliz consigo mesmo.
E de repente nos sentimos automatizados, e não sabemos se estamos indo junto com o rebanho ou estamos sendo nós mesmos. Aí é a hora de parar e pensar. Quem sou eu? O que tenho eu feito por essa pessoa que vejo no espelho? Eu me reconheço ou a cada vez que me olho me pareço mais estranha?
E então é o momento, doa o quanto doer, de retomar o caminho que você quer. Não o que a sociedade lhe impõe, coitada, ela não tem este poder. Mas você tem, e deve, para seu próprio bem, ser você, do jeito que gosta, sem querer saber se agrada gregos ou troianos.
Porisso estive olhando o mundo de fora. Consertei umas coisas, mexi em outras, e finalmente me encontrei e gostei da pessoa que vi no espelho.
Pelo menos consegui sorrir para ela, e dizer: Ah! Afinal nos encontramos de novo!
Por vocês mesmos, façam seus tempos de reflexão. Não é preciso se isolar nas montanhas do Tibet. Nem deixar seu emprego. Nada. Mas analise cuidadosamente o que está dentro de seus pensamentos, se está contaminado ou se é tudo seu. Exclua o que não for seu. Vai se sentir muito melhor!


segunda-feira, 8 de junho de 2009

Resposta a um comentário

Marco disse...
Oi amiga Márcia! Prazer comentar pela primeira vez aqui. Eu já conhecia seu blog. Temas muito interessantes mesmo. Gosto demais destes temas da "juventude de nossos dias" e dos "psicopatas". Apesar de trabalhar na área da saúde, não sou psiquiatra. Por isso, foi bom relembrar algumas coisas bem "curiosas" sobre os psicopatas. Por exemplo, o fato de que podem viver uma vida inteira sem causar maiores danos. Não procurei estes dados na web, mas você sabe me dizer as estimativas que fazem sobre qual o percentual de psicopatas na população humana? Recentemente, assisti um documentário na TV à cabo sobre os assim chamados na psiquiatria de "Distúrbios de Personalidade" ("psicopatas"), e seus subtipos. Era da BBC inglesa, com legendas. Conheço alguém próximo ao meu convívio que tem o diagnóstico fechado quanto a este problema. Acho essa a mais emblemática das doenças em toda a medicina, pois é MUITO "curioso" (ou triste) quando confrontamos a pessoa doente, MOSTRAMOS a ela que a conduta x, y e z delas são de uma grave doença e, mesmo assim, eles não têm a capacidade de enxergar a realidade. Incrível! Uma espécie de "cegueira de alma"(perdão, mas você sabe das minhas conviccções de que somos corpo e espírito e de que NADA no Universo é por acaso). É mesmo defeito de fábrica! A medicina já tentou de tudo para curar, e nada! Como um psiquiatra famoso aqui em SP já comentou, "é a AIDS da psiquiatria". Curiosidade: o psiquiatra que ouvi comentar isso é um poço de frieza e narcicismo que POUQUÍSSIMAS VEZES vi na vida. MUITO inteligente, é fato, inclusive sendo chefe da psiquiatria de um IMPORTANTÍSSIMO hospital aqui de SP. Mas se você ouvisse o que EU ouvi ele falando ao celular, próximo de onde eu estava... Não deixa de ser macabro: o perigo assim, tão próximo e disfarçado de inteligência. Fecho o diagnóstico para ele??? ;) Beijão!


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Caro Marco, obrigada pelo feedback.



É sempre bom receber algum estímulo, isto me faz continuar.

Infelizmente, Marco, cerca de 2% da população tem psicopatia em um determinado grau. Nem sempre a vida toda, algumas vezes são episódios, mas eu sou das que acredita, se aconteceu uma vez, não importa em que recôndito da "alma" está guardado, pode acontecer de novo.



Você diz "confrontar" um psicopata? Que coragem...



Mas não sei se podemos ter diagnósticos fechados. Cada cabeça, uma sentença, e de médico e de louco todos nós temos um pouco. O narcisista é um dos piores que conheço, pois é difícil de ser diagnosticado. Tem quem diga que tenho uma pirraça pessoal com eles, talvez seja fato. Mas fato mesmo é que pouco a terapia pode fazer por estes infelizes. Prefiro recomendar distância, não a eles, mas deles!



Escreva sempre. Foi um prazer receber seu comentário, e decidi publicá-lo.

domingo, 15 de março de 2009

ATÉ ONDE PODEMOS IR?


Creio que este texto seja mais sociológico que psicanalítico, mas há algo de convergência nas duas coisas.

Viver é uma das mais difíceis artes. Não é algo que se faz sem pensar. Cada pequena atitude nossa se reflete em uma gama imensa de conseqüências.

Vou falar sobre um monstro que muitos conhecem e que pode destruir mais que uma arma. Vou falar um tipo maldito e sua táticas.

Há um tipo de manipulador que se faz de coitado, de sofredor, de infeliz, de vítima.

Ele jamais é culpado de nada, muito pelo contrário, ele é a figura da bondade. Todos na cidade o conhecem, mas não sabem quem é a peste dentro de casa.

Se sai com a família é apenas sorrisos, gentilezas, mas dentro de casa é uma besta fera.

Ele arma as situações mais esdrúxulas para que as coisas saiam erradas, porque precisa culpar alguém. Não fica feliz jamais se não tiver reclamações a fazer.

Chega ao cúmulo de sugerir atitudes á família, para que quando esta atenda, ele negue que sugeriu e venha com um saco de impropérios.

Ele manipula tudo para poder ter o que reclamar, e adora gritar.

Adora ameaçar.

Ameaça sair de casa e deixar a família na miséria, alegando que é maltratado, mas se for paparicado reclama que não tem um minuto de sossego dentro de casa, aproveita a deixa e sai, sabe-se lá para onde.

Se a água do chuveiro está quente demais é culpa de alguém que “deve” ter mexido no chuveiro, logicamente a água não ficaria quente por nada... Se alguém fica doente é culpa da pessoa que “quer” gastar com médicos e remédios.

E enquanto isso ele pede à filha que vá lá fora debaixo de chuva pegar algo que ele deixou propositalmente, para um dia poder causar-lhe uma gripe.

Tem que ser fiscalizado vinte e quatro horas por dia, pois gosta de desaparecer com objetos de primeiríssima necessidade, para poder culpar alguém pelo desaparecimento daquilo.

Esbarra “acidentalmente” em um vaso de flores para culpar o gato, pois quando se descobre o dano ele está assistindo um filme, e nada viu.

Desaparece com correspondência importante que o filho está esperando de um emprego ao qual se candidatou, para depois poder chamá-lo de vagabundo, de inútil.

E não é só o homem que faz isso. Pode ser a mulher. Pode ser a mãe dela, a mãe dele. Pode ser qualquer um na casa.

É uma doença. Esta pessoa só fica feliz de fato quando consegue ver lágrimas nos olhos dos outros.

É aquela pessoa que come além do necessário, apenas para não sobrar para quem vai chegar mais tarde.

E sempre se precavendo para passar pelo cúmulo da bondade, um exemplo de ser humano.

É capaz de riscar o carro com uma pedra ou tesoura, para depois culpar a família toda. É capaz de esconder um artigo de primeira necessidade e colocá-lo no local mais impossível.

Estas atitudes são patológicas, claro, e são de manipulação, pois o ofendido é quem as arma, e geralmente é quem vai ser o prejudicado.

Sugere muito, se fazendo passar por bom. Passeios, viagens. No caso de um marido faz a mulher reservar hotel, reservar passagens, e depois desaparece com o dinheiro que estava guardadinho, culpando alguém, passando-se por vítima.

Agora não podemos mais ir! Mas eu acho o infeliz que fez isso!

E instiga a dúvida entre os moradores da casa.

Chega aos limites de sumir com trabalhos escolares prontos que os filhos deveriam entregar apenas para poder xingar, chamá-los de irresponsáveis.

Louco? Não. Ruindade patológica. A única forma que acha de ser feliz.

É impossível conviver com pessoas assim. Totalmente impossível. E geralmente são as que detem o poder econômico, de tal modo que os familiares agüentam por falta de opção.

Já vi isso tanto em mulheres como em maridos. Já vi isso em sogras e em filhos.

Não concordam com tratamentos psicológicos de ninguém, dizem que é frescura.

Então venho com uma pergunta: Até onde se pode agüentar? Até onde se deve ir?

Quando a situação chega a limites, alguém tenta até o suicídio, ainda acha quem culpar.

É muito difícil. Porisso tantas tragédias acontecem em família.

sexta-feira, 13 de março de 2009

JUVENTUDE DE NOSSOS DIAS


Tenho me deparado com um fenômeno que não existia há uns anos atrás.

Os jovens atuais acreditam que os pais são responsáveis por eles a vida inteira, e que lhes devem alguma coisa.

Não buscam progredir na vida, com muitas exceções, claro, e honrosas.

Mas há um grande número de jovens que só sabem querer. Eu quero, parece ser algo que eles tem direito. Deveres? Não, isso não.

E se estes direitos não são dados, são capazes de agredir, de bater nos pais, de matá-los.

Onde foi que erramos?

Erramos ao nos sentir culpados por não estarmos em casa como era no passado, quando as mães faziam bolinhos, engomavam camisas, se esfregavam no tanque.

Não devemos nos sentir culpados. O mundo mudou e eles acham que tem direito a passear nos shoppings, a ter dinheiro sem fazer nada por merecê-lo.

Querem que a vida, o sucesso lhes venha de mão beijada.

Não sabem o que é lutar por vencer na vida. E ao sinal do primeiro fracasso não tem o menor constrangimento em culpar os pais.

Isso quando fica em apenas culpar.

Quantos casos de filhos matando pais vemos?

Estamos criando monstros, e muito disso se deve a nossos complexos de não estar 24 horas por dia ao dispor deles.

Erramos, sim. Continuamos errando.

Vamos fazer nossa mea culpa e mudar este estado de coisas. Não vamos mais admitir que eles tenham tudo sem fazer nada para merecer.

Mesadas altas, viagens internacionais. Quem de nós teve isso? E não nos criamos decentemente?

Estamos compensando algo. Pode ser verdade. Algo que não podemos dar, nossa companhia, e eles indecentemente nos cobram, na forma de dinheiro, falta de educação, quando não de maus tratos.

É tempo de mudar. Acreditem. Um dia não estaremos mais aqui. Não somos eternos. E o que será feita desta geração despreparada para vencer na vida?

Para alguns casos não há mais solução, mas para aqueles em que ainda é possível, piquem seus corações em pedaços, chorem no escuro e tomem atitudes.

Ou estarão criando mendigos ou facínoras.

Vocês não querem que seus filhos vão parar nas ruas nem em cadeias.

Então tomem atitudes agora. Enquanto é tempo

Espero que tenham entendido o recado.

terça-feira, 10 de março de 2009

PSICOPATAS



O psicopata é um indivíduo que não tem a parte afetiva. Ele não sente como nós, amor, ódio, raiva, carinho.
Ele até finge bem que sente, e pode passar por uma pessoa absolutamente normal.Mas na verdade ele só se preocupa com ele. E nem sequer tem medo.
Ele tem volição, ou seja, o Eu quero.Mesmo o sexo para ele é puramente físico, é uma necessidade fisiológica, ele nunca sentirá amor.São ótimos para serem homens bomba ( lembram do filme O profissional, com Jean Reno?), para trabalhos de altíssimo risco, pois nem sequer tem instinto de sobrevivência.
Não há tratamento, pois em seu sistema psíquico faltam elementos, é como querer cortar as unhas da mão de quem não tem braços.
Há muitos psicopatas entre nós, e por alguma razão desconhecida alguns podem levar uma vida inteira sem matar ninguém, sem causar dano.
Outros podem matar sem razão alguma e jamais sentirão arrependimento ou problemas em relação a irem presos.Eles se casam porque todos fazem isso, nunca por amor. Podem ser excelentes profissionais, em todas as áreas pelo fato de não terem sentimentos que os atrapalhem de exercer suas funções.
São excelentes pilotos, soldados, militares, até médicos.Um exemplo muito comum deles é o narcisista, que finge sentimentos, mas na verdade nem sabem o que é isso. Nem deles mesmos eles gostam.É triste, e perigosíssímo.
Eu sempre recomendo como teste que se faça a pessoa passar por um momento de tensão, e ver a reação. Psicopatas não sabem a priori como reagir a certas situações, precisam de ter visto exemplos antes.
Então, em dúvida eu apareço com uma coisa que sei que é nova para ele e observo a reação. É tiro e queda.
E se for psicopata fico a anos luz dele.Espero ter clareado um pouco sobre o assunto, mas estou aberta a dúvidas.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

SÓTÃO, TESOURAS, PORCO








O marido colocou a tesourinha de unhas na gaveta do criado mudo e disse: — Eu não quero mais que esta tesourinha saia daqui. Entendeu?


A mulher deu de ombros, com fastio. Ss exigências, só prepotências. Eu quero, eu disse, eu avisei. . . Em seu dia a dia ela já se cansava desta rotina insípida, e se pegava perguntando. Mas será só isso a vida?


Então ele saiu do quarto e ela se sentou na beira da cama, olhando a mala velha em cima do guarda roupa. A mala trancada fazia tanto tempo. . . O que haveria lá dentro?


— Bem? ? ? O que tem dentro daquela mala?


— Que raio de mala?


— Em cima do guarda roupa?


— Nada que possa interessar a você, ouviu?


Voltou para o quarto, e desejou fortemente, com o que ainda havia de forças em seu pensamento. "Eu quero que aquela tesourinha vá parar dentro daquela mala. " Por que este pensamento bobo? Difícil dizer. Talvez porque estava ficando cada vez mais alienada, nada fazia sentido.


À noitinha colocou a sopa na mesa. Ele comia como um porco. Fazia ruídos nojentos puxando a sopa para dentro da boca.

Ela perdeu a fome, e começou a pensar num porco. Ele estava começando a se parecer com um porco.

Ela pensou, "Puxa, ele poderia virar de vez num porco"

Foi deitar-se, ligou a TV, e começou a dormir.

Começou a sonhar. Mas seria mesmo sonho? Tão real. . .

Havia uma escada junto ao guarda roupa. Uma escada tão bonita. . .


Parecia aquelas escadas de bibliotecas em mansões inglesas. . . . Toda em mogno.

Subiu e passou por cima da mala, apoiando nela.


Havia uma porta, aliás, nem mesmo era uma porta, era pouco mais que uma passagem. Um túnel. Arrastou-se pelo túnel, e entrou no sótão. Aquele sótão era só seu. Ninguém mais entrava lá. Era seu lugar particular. De manhã cedo a luz trespassou a cortina alaranjada desbotada do quarto, criando uma luz bonita no quarto. Ele já tinha saído. Olhou para cima do guarda roupa, e viu que o túnel estava bem fechado. Graças a Deus. . . Passou o dia envolvida na mesmice, cozinhando os pensamentos. De vez em quando olhava o túnel, mas sabia que só depois que ele dormisse poderia ir ao sótão.


A noite chegou, e com ela o marido. — Cadê o diabo da tesourinha, Celina?


— Como é que eu vou saber? Você colocou na gavetinha, do seu lado... E ele fungava, irado... — Mas não está lá, e ao que eu saiba, a menos que você tenha tirado, tesoura não anda, ou anda ? perguntava irônico. . .


Ela fugia para a sala, fingia ler uma revista.

Ele fazia barulhos no quarto, jogando coisas no chão.


— A partir de amanhã vou colocar chave em tudo o que é meu. . . . ameaçava tolamente.


Noite de novo. A inveja que ela sentia do sono fácil do marido tinha acabado. Quanto mais ele dormisse melhor. Mais tempo podia ficar no sótão.


Os dias foram passando, as noite acompanhando, numa sucessão infernal de um nada contínuo. O sótão agora estava mais alegre, tinha flores, um espelho. . . E Celina se fitava ao espelho, sentada em um banquinho. Quisera ser Alice, e poder entrar naquele espelho. Mas não podia. Do sótão conseguia ouvir os roncos desesperados do marido. Não conseguia mais ver em sua mente o marido, só conseguia vê-lo como um porco, resfolegante. Tinha medo que ele acordasse e notasse sua ausência. Por isso descia e segurava a respiração, para que ele não ouvisse nenhum passo. Um dia aconteceu o inevitável. Ele a viu sair da cama. Mas neste dia, ele, precavido tinha tirado a escada do lugar. Ela alegou que apenas ia ao banheiro. Tornou a deitar-se, aborrecida. Olhou para cima do guarda roupa e lá estava o túnel. "Que chateação", pensou. Não conseguiu evitar um pensamento de como seria bom se ele sumisse de vez. No dia seguinte ele não veio jantar. Não veio dormir. E ela começou a não se importar. Ficava horas a fio no sótão, agora a qualquer hora do dia. Na saída, sempre se sentava um pouco sobre a mala. Sentia-se aliviada com o sumiço dele. No quarto dia telefonaram da repartição. Queriam saber o que acontecera. — Nada de mais, respondeu tranqüila. Ele precisou viajar. Desligou o telefone com a sensação de ter falado a coisa certa. Um mês depois a correspondência dele se acumulava em montes, não havia mais nada de mantimentos, e ela não precisava limpar a casa. Começou a comer no sótão, numa cozinha improvisada. Mantinha o sótão sempre impecável, e com isto fugia do mau cheiro na casa. Nada importava, ela não precisava mais responder a questões bobas sobre tesourinhas de unhas. Que diferença fazia se a casa cheirava mal? No dia em que a polícia entrou ela estava sentada em cima do guarda roupa, sobre a mala trancada. Foram gentis e ela não se importou quando a pegaram com carinho pelo braço, conduzindo-a para fora do quarto. Disseram que ela precisava de cuidados. . . "E quem não precisa? ", pensou Celina. Foi viver num outro lugar, mais claro, sem cortinas alaranjadas, bem silencioso, onde ela podia ir ao sótão com mais facilidade, já que no seu velho quarto tinha que subir em cima da mala, no guarda roupa. Havia um homem, mas ele era diferente, educado, calmo. Ele fazia perguntas, mas ela não precisava responder. Respondia apenas quando queria. Ele estava muito interessado em saber onde estava o marido dela.


Respondeu a mesma coisa de sempre.


Um dia ele deixou a polícia entrar em seu novo sótão, e fazer-lhe umas perguntas. Mas antes, quis saber se ela estava de acordo.

— Claro, disse Celina, agora sou tão feliz. . .

O policial perguntou-lhe quem colecionava tesouras. Ela riu. — Tesouras? — Sim, tesouras de todos os formatos, todas com data, dentro de uma mala. Mais de duzentas.

— Não sei, respondeu Celina, sentindo-se leve, leve. Nunca soube o que havia dentro da mala. O policial lançou-lhe um olhar benevolente e perguntou ao homem agradável, dono do sótão:


— O senhor permite? O homem bondoso, o que não a obrigava a responder nada, só o que ela queria, disse:


— Celina, você se importaria de esclarecer uma pequena coisa? Ela sorriu. . . Era tão bom estar ali, longe do olhar pesado do marido, desobrigada de fazer aquela sopa todos os dias, ela faria qualquer coisa para continuar morando no novo sótão. — O quê? O policial esfregou as mãos, suspirou, e finalmente perguntou, calmamente: — Dona Celina, eu só tenho uma outra dúvida. A senhora consegue me explicar como é que em sua cama havia um porco enorme, morto?


Ela abriu o maior sorriso. . . Finalmente tinha acontecido.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

EU NÃO SOU UMA ANTA


Bem cedo na vida descobri um dom incrível para saber se uma história
era ou não verossímel. Isso me levou a dois caminhos. Na física vi que sempre a hipótese mais simples é a mais provável. Na psicanálise sempre me foi muito fácil ver onde estava a verdade.
Feliz? Não, arrasada. Envergonhada, com uma vontade atávica de dar uma bela surra na madame. Desde quando para se fazer um monte de alguns mil francos ou euros, é preciso mentir?
Pobre pai, inocente como todos. Mas eu entendo. Pai nenhum admite que a cria possa estar errada. Ou poucos.
E feliz. Não sou uma anta. Ou sou e poderia estar usufruindo a vida sem pensar nisso? Psicanalisando.....

Houve um tempo

No passado os filhos procuravam dar orgulho aos pais. Era uma troca justa, pelo desvelo em anos de muito sacrifício e trabalho.

Não estou citando A ou B. Estou constatando uma terrível inversão de valores, uma busca por uma independência fictícia, adultos que não crescem mas que na hora do aperto sabem gritar: Socorro, pai!

Olha, por hoje é só mesmo. Se fosse escrever o que penso, correria o risco de ser processada. Então, fico reclusa dentro dos meus pensamentos, e espero calmamente para ver os fatos se desenrolando.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

PRAZO DE VALIDADE

Recebi de uma pessoa em minha comunidade o post abaixo:


Marcia que tal vc comentar sobre o relacionamente mae-filha, quando eh a mae que nao aceita a "independencia" da filha. Vou explicar melhor: tenho minha mae aqui comigo por quase 2 meses e nunca estive tao estressada, ela nao aceita meu ritmo de vida, ( saio cedo pro trabalho e outras vezes trabalho de casa mesmo mas nao posso dar a ela toda atencao que ela quer); a maneira que crio meus filhos (ela acha que dou liberdade demais a meus filhos e nao deveria deixar minha filha fazer universidade longe de onde moramos); ela gasta demais e eu sou hiper economica, ela adora "drama" e eu detesto discussoes; ela gosta de "junk food" e nos aqui so comemos tudo natural...em vez de estarmos aproveitando essa visita dela, a familia esta toda estressada!Me sinto a "pior" filha do mundo mas nao vejo a hora de minha mae ir embora...


Situações como essa só merecem um conselho: tenha paciência.
Você não pode fazer absolutamente nada!
Não vai discutir com a mãe, seria falta de respeito e perda de tempo. Mas vou explicar os porquês desta situação.
A mãe viveu outra época. Além disso tem a própria personalidade, que deve ser forte. Ela quer atenção. Já pensou se ela não sente que está sendo preterida em função de seu trabalho?
Ela pode não estar notando que a mãe agora é você, e ela não precisa gostar ou desgostar de seus métodos, mas ainda carrega dentro de si aquela "coisa" de ser a mãe, a que sabe, a que orienta.
É difícil para uma mulher, principalmente se criou filhos, de repente ver que os próprios filhos seguem outra "cartilha", tem suas regras próprias.
Uma coisa que costumo dizer sempre a meus amigos e pacientes, e faz parte de meu vocabulário usual: mãe tem prazo de validade. Sua mãe foi mãe. Boa ou não, fez o que achava que deveria. Mas agora não tem mais validade como aquela mãe que orienta. Passa a ser a mãe amiga, a mãe que aprecia o que a filha faz.
Quando uma mulher não sabe observar que o prazo de validade como mãe extinguiu-se, sempre há o conflito de gerações. Felizes daquelas filhas cujas mães respeitam suas atitudes. Se você acha que sua filha deve estudar aqui ou acolá, ela apenas deveria concordar, afinal a responsabilidade agora é sua, não dela.
É outra época no mundo, são outros os hábitos. Mas muitas mulheres não se preparam para esta fase da vida.
Minha amiga, que até lhe sirva de exemplo, pois um dia será sua vez de estar nesta posição. É uma situação extremamente comum, que vejo ocorrer a toda hora. Mães e sogras disputando o papel que não é mais o delas. E sabe porque isso acontece? Qual a educação que é dada à menina?
Seja boazinha, estude, lave as mãos antes de comer, ache um bom marido, seja uma boa esposa, cuide bem de seus filhos.
E quanto à maturidade e velhice? Alguma coisa é ensinada? Jamais. Ninguém diz:
Quando for uma pessoa madura, dê seu lugar aos mais jovens. Observe apenas, saiba sorrir, e só ofereça conselhos se forem pedidos.
Honestamente, alguém ensina isso? É exatamente pela falta destas informações que as mães das mães mais novas se confundem totalmente. Querem continuar com seu papel, em palavras de Jung, continuam com a persona que encarnaram por quase toda a vida.
Você não pode fazer nada. Sinceridade com ela agora só a magoaria. Sei perfeitamente que deve estar dificílimo para a família toda. Talvez possa dar a ela alguma atribuição sob o pretexto de que precisa de uma ajuda em algum setor. Isto a faria ocupar-se e sentir-se útil. Ela não age assim por mal, esteja certa.
Para ela, você ainda é, e será sempre a menininha. E ela é quem sabe das coisas. Francamente, você tem coragem de mostrar a ela este texto? Eu não teria. O que posso dizer é que ela sente falta de apreciação. Talvez boas conversas sobre tempos passados, sobre tempos em que ela "era" a mãe possam levantar a auto estima dela, afinal todos estes palpites são reflexo de um desejo inconsciente de se valorizar. Pois valorize-a um pouco, isto será bom para todos.
Peça a ela que faça aquele bolo que "só" ela sabe fazer. Peça algum conselho que não seja para agora, assim não precisará seguí-lo, mas ela se sentirá feliz.
Contudo, tire disso uma preciosa lição para o seu futuro. Prepare-se para quando você estiver ocupando uma posição de mãe, e sua filha estiver onde você está hoje. Saiba definir quando suas funções de mãe cuidadora terminam.
Também sou mãe. Meus filhos estão criados, e ouço frequentemente coisas com as quais discordo. Mas converso com meu eu interior e me digo: Marcia, agora é a hora deles, dê um sorriso e diga que fazem muito bem, que é isso mesmo.
Se der tudo bem, não perdi meu tempo. Se der tudo errado, é a vez deles aprenderem mesmo. E eu fico em minha zona de conforto, tranquila.
O tempo passa rápido e logo ela irá para a casa dela. Tente aproveitar o tempo sem se estressar, use mais a expressão: Sabe que talvez você esteja certa?
Use mais também este outro coringa: É, vou pensar muito nisso, gostei da idéia.
Claro que você já se definiu, mas custa dar um prazer a quem talvez não tenha muitos outros?
Peça paciência à sua família. Tenha paciência também. E lembre-se acima de tudo que o tempo passa muito depressa, e um dia ela não estará mais entre vocês. Um beijo e boa sorte.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA


A história é tão igual que nem dá vontade de contar. Sempre a mesma coisa. Começa com um empurrão.
""O que vale um empurrão? Qualquer um mais aborrecido com o dia de trabalho chega em casa meio puto da vida e faz isso até sem notar...
Mas depois ele deu um tapa e a travessa com a carne assada para o jantar espatifou-se no chão, acabando com a louça, a comida e misturando-se com as lágrimas que insistentes caíam sobre o lixo que ela agora limpava.
Mas tudo bem... Tinha sido um dia duro no escritório, e ainda por cima um filho da mãe tinha dado uma amassadinha no carro. Entende-se.
No outro dia foi uma coisa meio sem motivo. Ela teve um pouco de medo, porque ele apertou o pescoço dela. Será que foi brincadeira? Se foi ela não gostou muito. Ficou roxo e teve que usar uma echarpe vários dias.
E com o tempo ele começou a fazer daquele comportamento o arroz com feijão do dia a dia. Por que?
O sexo era tão bom! Os passeios também! E com certeza ele não tinha outra.
Mas foi horrível quando ele apagou um cigarro em suas costas. Foi horrível quando bateu sua cabeça contra a parede até que ela desmaiou.
O que estaria acontecendo? Tentar falar era puxar mais briga, e já não havia diálogo, era só grito, qualquer coisa saía nos tapas, nos murros. ""
Este relato é sempre igual. Varia apenas as nuances, a classe social, a presença ou ausência de filhos, mas o fato em si é o mesmo. O marido é um "abuser". Desculpem a palavra sem em inglês, não temos nada tão conveniente em nossa língua.
E não fica apenas nisso. Começa a privação de comida em casa, sexo só se for para usá-la como não seria publicável, palavrões, ameaças.
Na grande maioria das vezes ela não dá parte. A vergonha a coibe. Deixar os pais saberem, jamais. E muitas vezes esta história termina no cemitério. Raras vezes tem um final não feliz, mas pelo menos razoável.
O erro não é dele. Ele é um anormal e anormais não devem estar no convívio familiar. O lugar deles é outro. A errada é ela em não admitir que o príncipe encantado é um monstro do qual deve fugir para não morrer. Anormais não pensam. E ela fica ainda buscando o ridículo de perguntar: Onde eu errei?
Francamente! Tenho vontade de esquecer qual é minha função. Tenho vontade de sacudir a moça que vejo a minha frente até que ela reaja, que acorde!
Isso quando tenho a chance de vê-la. Grande parte das vezes apenas fico sabendo que mais uma mulher morreu por espancamento, facada, tiro.
Favela? Me dá vontade de rir.... Condomínios classe A, casas maravilhosas, conjuntos habitacionais, tem de tudo.
Não vou discutir hoje o homem. Mesmo porque quero depois falar sobre a violência da mulher contra o homem, que também existe, mais nojenta até, porque é terceirizada e paga com o dinheiro dele, mas fica para outro dia.
Hoje quero falar com as mulheres. Queridas... Casamento, união estável, é alguma coisa diferente. A partir do momento em que a voz foi alterada e vocês nada fizeram, foram cúmplices.
Não existe esta coisa de marido nervosinho. Não existe perdão para um grito. Entendam isso de uma vez por todas. Marido nervoso divide os problemas com a mulher. Conta para ela o que anda ocorrendo e pede ajuda. Nem tudo na vida são flores. Maridos tem patrões que podem tirá-los do sério, mas eles não descontam em cima daquela que amam. Se descontam é que não amam, e vocês são umas idiotas se pensam que isto muda.
Muda sim, fica cada dia pior. E mais. Não tentem fazer terapia de casal. Não funciona. O abuser é um caso psicopático. Uma besta fera que melhor faria estando morto. Mas quem vai morrer é a mulher, se insistir em salvar o casamento.
Salvar o que? Quando alguém diz que tem que salvar o casamento, com certeza, não há mais nada a ser salvo.
Pensem nisso.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

CEGUEIRA FUNCIONAL

Já dizem que o mais burro é aquele que não vê porque não quer. E eu ainda complemento: mais burro que este é quem se incomoda com ele.

Há vários tipos de cegueira não física. Um tipo me chama a atenção em particular. É a do que chegou em um ponto e acha que isso é suficiente. Ou seja, se coloca limites.

Será que os limites são colocados para que tateando no escuro da burrice este cego possa achar as paredes com as quais limitou sua vida?

Quem se dá limites não é cego, é burro. Claro que não pretendo ofender os animais, é apenas força de expressão.

Aquele que olha a vitrine da vida e diz: preço muito alto para mim....Puxa, este é um cego funcional! Tudo no mundo está disponível, escancaradamente disponível para nós, mas não vamos lá e pegamos porque nos colocamos fronteiras: "....só posso ir até ali...."

Quem um dia disse a vocês que há limitações? Quem os proibiu de ter alegria, felicidade?

Quem foi que disse como se comportarem, o que podem e o que não podem fazer, ser ou ter?

Pois revoguem isso. Escrevam em um papel imenso " Eu não tenho barreiras". Coloque em uma posição onde veja ao acordar. E vá todos os dias para sua vida sem cegueira, sem amarras.

Por outro lado, fico eu aqui observando os burros. Ops, digo, os cegos. Burra sou eu de me preocupar com eles.

Felicidade não é prerrogativa de ninguém, é apenas um estado de espírito. Difícil ser feliz? É só querer. Mas é um querer que exige mudança. Mudança em muitos sentidos, a começar daquilo que foi ensinado a vida toda: isto não é para você, isto é para você, faça isso, não faça aquilo.

Mas mudança sim, exige algum esforço. E então? Vale a pena?

O que você de fato quer? Amor? Dinheiro? Cultura? Acha que não pode ter?

Talvez não possa mesmo, enquanto se satisfaz com alguma coisa menor, tomando o espaço que poderia estar sendo usado por outra coisa. Você já parou para pensar que é a única pessoa responsável por sua vida?

Hoje eu me sinto uma burra. Já pedi desculpas aos animais. Me sinto uma burra por sentir o desejo do psicanalista, o que não devia sentir. O desejo do psicanalista é ver seu paciente feliz. E sua dor é ver que ele não quer ser.

Sinto vontade de rir imaginando quantos vão colocar as carapuças ao ler isso. Possivelmente todos. E a cada um caberá um pouco, sim.

Eles chegam e falam. Mostram exatamente o que querem. Mas não conseguem. Falha minha? Minha dor diz que sim. Minha lógica diz que não.

Sofredores compulsivos, narcisistas, adictos à culpa, mentirosos, enganadores de si mesmo. Tem de tudo.

E os piores: os cegos. Está lá! Pronto para ser esfregado em seus narizes pinoquianos, mas eles não querem ver. Pois que não vejam. Continuem fingindo que está tudo bem. O mundo vai bem obrigado... Eles estão bem... enganados.

Que fiquem pensando que a vida foi madrasta, que não são dignos de ter mais. Ou que para ter mais é preciso algo de que não dispoem. Pobres seres alienados do mundo.

Pobres infelizes que não podem ver porque não sabem ver, pobre de mim que ainda sofro por isso.