terça-feira, 24 de junho de 2008

Velhice, você está preparado?




Velhice

Este é um tema que não vai interessar a muitos. Mas quem sabe pensem nele para o futuro?

Não sabemos quanto vamos viver. Nem em que circunstâncias.

Um dos graves defeitos de todos nós é o de pensar que a vida se resume ao hoje, que jamais vamos ficar velhos, ou ter restrições físicas. Nunca nos preparamos para o envelhecimento. Alguns até se preparam, mas em termos financeiros, como se o dinheiro comprasse tudo.

Mas a vida passa pela infância, idade adulta e velhice. Todas as fases podem ser felizes, se forem bem vividas.

A infância não depende muito de nós. É quando temos ou não a sorte de termos bons pais. Para muitos nem sempre acontece. Alguns ficam com marcas desta fase, que podem acompanhar pela vida toda.

Algumas crianças são felizes, mas nem sempre isto é maioria.

Na idade adulta, o que pode começar desde a adolescência e cobrir até a meia idade, é que fazemos a maior parte de nossas besteiras, ou plantamos raízes melhores para o futuro.

Nesta fase há como errar e corrigir erros. É a fase mais útil da vida.

Nos realizamos profissionalmente ou não, casamos, temos nossas crias, cometemos nossas bobagens, mas como é uma fase longa, há tempo para muitas mudanças.


E de repente envelhecemos. Um processo lento, que se instala devagar, que me lembra agora aquele livro e filme " Tomates verdes fritos", quando a senhora no asilo diz:

Não sei quando foi que a velhice se esparramou em meu corpo.

Quando envelhecemos temos, alguns de nós, a capacidade de aproveitarmos o que aprendemos com a vida.
Muitos nem isso. Mas quem aprendeu alguma coisa leva a vida de uma forma mais tranquila, menos agitada pelos hormônios, com mais compaixão, mais tolerância.

É lógico que há pessoas idosas que apesar da idade ainda se comprazem em atormentar os outros, mas não deveria ser assim.

Um velho simpático, que tenha alguma sabedoria para transmitir, é uma bênção. Devemos nos preparar para esta época da vida, em todos os sentidos.


Preparar a velhice, economicamente, em termos de saúde, e principalmente tendo uma mente lúcida e cabeça fresca.



Mas nem sempre estamos pensando na nossa velhice, que chega, quer gostemos ou não. Devemos, por compaixão até, pensarmos que muitas vezes um pai, uma mãe, um marido, tios, avós, não foram educados adequadamente, não acordaram em tempo hábil para ver tudo isso, e hoje se tornaram chatos, dependentes.

Vejo com muita pena, pessoas reclamando dos sogros, dos próprios pais, de maridos, e penso: será que estas pessoas que reclamam não pensam que um dia pode ser com elas?

A idade muitas vezes impõe também restrições. A visão não é a mesma, a capacidade de locomoção, audição e a própria mente!

No Brasil não temos o hábito de colocar os velhos em casas especializadas, mas seria infinitamente melhor para os velhos se assim fosse.

Não estou falando em velhos produtivos, os que ainda dão conta de gerir suas vidas, mas aqueles que tenham doenças incapacitantes, que não consigam sequer cuidar de si mesmos, ou aqueles cuja idade é tão avançada que seria cruel deixá-los à propria sorte.

Acho horrível aquele ditado que diz " Um pai cuida dez filhos, dez filhos não cuidam um pai" e que reflete uma verdade.

Jogar todo o "problema" para cima de um filho só, a menos que seja filho único é sacanagem.

Também acho errado separar velhinhos que passaram a vida juntos, e então um filho cuida de um, outro filho cuida de outro. Os dois viveram juntos! Nem sabem mais ficar separados. Seria melhor então matá-los, pois esta separação para eles é uma morte.

Deve-se levar em consideração que a menos que eles tenham problemas tipo Alzheimer, são pessoas a quem se deve respeito. Há formas de ajudar. Juntem-se os filhos, paguem uma empregada boa, uma auxiliar de enfermagem.

Que se proponha aos velhos morarem em um local menor ( muitas vezes ficam numa casa enorme, vazia). Mas sempre, a decisão tem que ser deles.

Visitei algumas vezes uma casa de idosos, que me deixou de boca aberta. Moram em casinhas, com varanda, quartos ensolarados, sem luxo, mas com limpeza, com boa alimentação, com carinho, e são livres para sair, os que podem, e não é caro em absoluto.

Tem uns velhos lá que tem computador, linha telefônica própria, eles não impoem nada.

Francamente é melhor que viverem largados, abandonados. Estes idosos ainda tem alguma atividade, recebem visitas, há um local para visitas pernoitarem.

Eles decidem o que querem e o que não querem. Mas sei que um lugar destes é uma exceção, a menos que haja muito dinheiro disponível.

Velhos precisam amor. Precisam companhia, ocupação. Não os coloquem de lado como objetos sem valor, como seres que estão apenas à espera da morte.

domingo, 15 de junho de 2008

Casamento - o eterno tema




Ceder às vezes - é Submissão?




Se houver imposição de qualquer tipo, em um casal, algo não está bem. Um casal bem ajustado não precisa ceder em nada, eles se respeitam mutuamente e não invadem os espaços particulares.

Um erro muito frequente é achar que quando duas pessoas se casam, viram uma. São pura e simplesmente pessoas que por qualquer razão decidem viver juntas.

Por que estou colocando "qualquer razão" e não apenas "amor"?

Porque estamos cansados de saber que nem todo casamento é por amor. Há casamentos por interesses, que podem ser dos mais diversos tipos, até mesmo os casamentos da velhice, quando os dois decidem ficar juntos para ter companhia, e até mesmo por fatores econômicos, já que sai muito mais barato duas fontes de renda sendo colocadas em um bolo comum.

Há casamento para romper a solidão, há casamento até para escapar à tirania de filhos que se julgam donos do pai ou mão viúvo ou viúva, há casamentos porque os dois têm interesses comuns.

E logicamente há casamentos por amor.

Mas ninguém me perguntou sobre casamentos contudo quero falar e também falar sobre ceder. Esta palavra me soa muito mal.

Ninguém é dono de ninguém! Então o que seria ceder? Fazer as vontades do outro? Viver da forma que um dos dois impõe? Não, isto é errado.

Pode ser submissão, sim. A famosa expressão " faço assim para viver bem" é uma forma de mostrar que há submissão.

Um fuma, o outro não pode fumar. Um bebe ainda que socialmente e o outro não tolera bebida. Um gosta de comer isso ou aquilo e o outro não. Um gosta de sair, o outro é caseiro.

A única solução, se quiserem ou precisarem ( sim, às vezes as condições econômicas impoem a precisão) é que cada um tente se ajustar ao outro, o que nem sempre é possível.

Mas um dos dois, ceder, não às vezes, mas sempre, é submissão e das bravas.

O fato é que não existe essa coisa de ceder, às vezes. Quem cede uma vez acaba cedendo sempre. Quem pega o gostinho de impor, impõe sempre.

Quem aceita uma vez, acaba aceitando sempre, e é submissão sim.

Casamento é uma parceria. ( Ou às vezes uma porcaria). Tem que estar bom para os dois. Vamos parar de nos iludir que é sempre amor. Pode ser amizade, pode ser companheirismo, pode ser afinidade. Mas tem que ter algo em comum.

Os orientais dizem: case-se com alguém com quem gosta de conversar, porque no final é só o que sobrará entre os dois.

Eu iria além deste conselho. Estabeleçam regras.

Puxa, um contrato de trabalho tem cláusulas. Um contrato comercial tem cláusulas, condições. Um contrato de casamento não tem?

Tem que ter. Regras e cláusulas bem definidas.

Fumantes e não fumantes jamais deveriam se casar. Gente que gosta de animais e gente que não gosta, idem.

Isso porque cigarros e animais ficam no ambiente dos dois. Mas existem incompatibilidades possíveis. Se eu gosto de ler e ele não gosta, não atrapalha em nada.

Já, se eu gosto de sair, e ele não gosta, que fique claro que eu saio e ele não. Mas se ele me proibir ou fizer cara ruim quando eu sair, e eu, para evitar brigas me privo de sair, aí é submissão. Aí está errado.

Não é difícil ser casado. Mas como depende de duas pessoas, nem sempre é tão fácil.

Dinheiro e modo de gastar dinheiro é uma fonte de confusões também. Tudo tem que ser muito discutido antes. Não é coisa de resolver à medida em que os problemas vão surgindo.

Principalmente para casais que se formam mais velhos. Estes nem tem desculpa, pois tem experiência de vida.

Não acredito no tal de ceder de vez em quando. A meu ver, qualquer exceção acaba se tornando regra.

Minhas teorias sobre casamento são muito pessoais. Creio que não só as minhas.

Da mesma forma que não há manual de instrução que funcione sobre como criar filhos, também jamais foi definido algo, sobre como levar a frente um casamento.


Uma das coisas mais complicadas que existe é acomodar duas pessoas que vieram de ambientes diferentes ( nem estou falando de países diferentes), de educações diferentes, que tem um passado já carregado dos próprios traumas, na forma de um casal.

Tendo sido professora muitos anos, lembro de uma piada que sempre era falada: O professor nunca está com vontade de dar aula, o aluno nunca tem vontade de assistir a aula, e a aula acontece e muitas vezes é ótima.

Parece muito com casamento. Casamento tem tudo para dar errado e ás vezes funciona. Quem casa cheio de ilusões já é candidato em potencial para se dar mal.

Veja no outro um ser humano, que tem tantos ou mais defeitos quanto você.

Uma outra coisa curiosa no casamento, em qualquer idade, é que por cultura, a mulher sente-se obrigada a agradar, e o homem "aprendeu" a ser agradado. Besteira. Gentilezas de ambas as partes fazem bem. Grosserias dos dois lados enterram a relação.

Dar espaço ao outro para respirar. Essencial. Cuidados em excesso sufocam. Presença em excesso cansa. Dar espaço é necessário.

E voltando à questão inicial... Se for preciso ceder é porque um comportamento errado já foi estabelecido. Uma regra básica não foi discutida. Então um dos dois começa a exigir, ou a pedir algo que estava fora do combinado.

Em casos especiais, não é submissão "conceder" algo especial. Mas se vir a se tornar lugar comum, então cuidado!

Casamento também pode se tornar luta de poder. Cuidado, cuidado, cuidado

domingo, 1 de junho de 2008

Complexo, trauma, mágoa e consequências






Imaginem uma ostra. Um gão de areia cai dentro dela. Começa a ferí-la, a machucá-la. Como mecanismo de defesa ela inicia um processo de secreção, revestindo a areia, formando assim a pérola.

Alguém disse com muita propriedade um dia: as pérolas são lágrimas das ostras.

Por que disse isso?

Nós temos uma parte consciente, uma subconsciente, e uma inconsciente. A consciente é a que nos faz interagir com o mundo: tenho aula, faço compras, dirijo o carro atentamente.....faz parte do dia a dia.

O subconsciente está mais próximo, aparece em músicas que começamos a cantar, sem uma razão aparente, traz a lembranças aleatórias, e faz parte de alguns sonhos, também.

O inconsciente é a parte mais escondida. Não está aí à mostra. Nem mesmo para nós.
Mas é onde o chefe de nossa psique mora. É de lá que saem as ordens para o corpo.

Temos duas pulsões: a de vida, e a de morte. A de vida nos faz comer, dormir, preservar nossa vida, é o que depois, em outro momento, Freud chamou de libido, e foi mal interpretado. Libido não é apenas desejo sexual, mas o desejo sexual faz parte do instinto de sobrevivência.

A pulsão de morte aparece naturalmente ao final da vida, quando a extrema velhice chega, e o corpo não responde mais tão rapidamente. A energia sexual se exaure, e naturalmente o ser se entrega.

Mas certos fatos podem causar pulsão de morte antes da hora. Uma ofensa por exemplo. Um lagarto que se comeu e ficou entalado. Uma raiva.

Vou dar um exemplo concreto. Uma situação de luto não elaborado. Morreu alguém e não choramos o suficiente. Não deixamos nosso corpo mostrar o quanto sofremos. Pode até ser por vaidade. "Eu sou forte". E eu acrescentaria: e bobo.

À medida em que não reagimos como deveríamos a uma ofensa, a uma humilhação, a um luto, somos como a ostra que engoliu um grão de areia.

E em um primeiro momento sofremos, deixando com que no subconsciente se formem os complexos. Mas estes complexos vão sendo empurrados para dentro de nós. E de repente pensamos que não nos dizem mais respeito
Mas não é bem assim. O complexo entrando em camadas mais profundas se torna um trauma. E com o passar do tempo, e outros traumas chegando, ele vai sendo mascarado, enfiado lá para dentro, e se torna nossa pérola. Triste pérola!

Os traumas inicialmente podem defraglar fobias. Medo de aranhas, de escuro, de locais fechados, de falar em público. Muitas vezes as fobias nem têm uma relação muito evidente, clara, com a causa.

Neste ponto aparecem muitos problemas psiquiátricos, que não devem nem podem ser tratados com fármacos. Os fármacos apenas encobrirão a real natureza do trauma. Mas não curarão.

Mais sério que as fobias são as doenças psicossomáticas. Na maioria dos casos causadas por mágoas, levam anos para aparecer.

Amanhã é o câncer, o diabetis, os problemas de tireóide, o lúpus, e eu me arriscaria a dizer: todas as doenças, pois até as que não são auto imunes, as que dependem de vírus, não encontrariam um ninho mais fecundo, que naquele indivíduo que abriga mágoas.

Mas como a pérola está escondida, nada fazemos.

Então, peço cuidado. Muito cuidado se você foi ofendido, magoado. Não se julgue uma super pessoa por ter "superado" isso. Ninguém supera. As negações fazem parte de outro assunto que irei abordar depois. Mas a verdade é que os traumas reduzem a pulsão de vida, e dão ordens ao corpo: morra.

Pode parecer muito violento o que falo, e eu não sei ser suave numa matéria de tal gravidade.

Afinal a vida é sua, faça o que quiser.

Vejo pessoas em cadeiras de rodas, pessoas com problemas de toda ordem, e se pendurando em medicamentos, caros e inócuos, mas se recusam a abrir o jogo e falar de suas vidas.

Deixo esta parte para depois. Apenas saibam agora: Mágoa, raiva, humilhação, e outros sentimentos não resolvidos, matam sim.

Não se enfeitem com estas pérolas, ela são fatais