quinta-feira, 28 de agosto de 2008

O PERDÃO - Parte 2 – para quem pede o perdão

Aqui vamos pensar no perdão, do ponto de vista de quem o pede. Pedir perdão é bem diferente de conceder o perdão, em termos dos sentimentos envolvidos. Se aquele que perdoa se sente magoado, ofendido, já aquele que pede o perdão se sente culpado, e não consegue conviver com algo que ele sabe ter sido o causador.

Óbvio é que estou falando de sentimentos genuínos. Não adianta pedir perdão sem sentir esta necessidade. Socialmente é usual, mas não satisfaz o indivíduo. Se ele não se acha culpado de nada, pedir, por que? Mas se pede, por sua absoluta vontade, passa por um processo geralmente doloroso inicialmente, o de admitir para si mesmo que estava errado.

Isso em si já é difícil. Não gostamos de errar. Ninguém gosta. Fere o ego. Mas machuca o ego muito mais saber que uma atitude que tomamos, uma palavra no momento errado, podem ter sido prejudiciais. E isto começa a incomodar. Pode ser esquecido, com o tempo, mas pode não ser. Pode não ser um fato muito grave, mas é uma manchinha em nossa página da vida.

Pedir perdão não é querer de volta o que se teve. Nem se pode esperar que assim o seja. Nada do que foi um dia será de novo igual. Pedir perdão é uma atitude de humildade, quando se admite que houve uma falta cometida. É talvez uma das maiores atitudes de coragem que alguém pode demonstrar.

Pedir perdão não é pedir para que tudo volte e seja esquecido. É apenas dizer: Eu errei. E mais ainda. A outra pessoa pode não perdoar.

Neste jogo a mente vai e vem. E se eu pedir perdão e ele não me perdoar?

E se eu pedir, o que vai resultar daí? Vou me sentir melhor?

Não, não vai. Não adianta ser perdoado por aquele a quem se ofendeu. Isso não basta. É preciso perdoar a si mesmo. E aí é que as coisas se complicam.

Alguém pode ser perdoado mil vezes, mas pode jamais se perdoar. E todas estas coisas, mágoa, culpa, a falta de perdão a si mesmo, causam traumas que hoje ficam apenas na mente, mas amanhã são remetidas ao corpo, são somatizadas.

O perdão dado pelo outro pode não ser o que se espera. Pode ser apenas formal. E a mágoa crescerá. Isto faz com que tantas vezes o pedido seja procrastinado. Falo amanhã. Não, falo no mês que vem. Dá medo. E então se começa uma busca interior de desculpas.

Certo, eu errei, mas foi porque...

Eu cometi uma falta, mas ele começou...
E se busca incessantemente algo que alivie a alma. Mas em geral não se encontra.

Na psicossomática encontramos uma gama enorme de doenças causadas pela culpa.

Pessoalmente, quando analiso, tento sempre fazer com que o sujeito não use esta palavra. A culpa é a causa maior de muitos males. O corpo físico recebe esta energia negativa e a transforma em um problema real, físico.

O perdão do outro é parte do processo. Mas apenas parte. O duro mesmo é se perdoar.

Contudo, isto é necessário. Muito mais do que se imagina. Perdoar-se pode evitar problemas maiores.

Se eu estivesse agora falando com alguém que fosse pedir perdão eu diria: Você já se perdoou? Não peça ao outro antes disso.

Pode ser que o outro nem esteja mais se incomodando com o que você fez. Mas você só saberá se perguntar. Pode ser que o outro diga: Ora, isso nem é mais parte de minha vida. Esteja pronto também a se sentir enjeitado, abandonado, uma coisa, que nem mais conta. Mas você deve fazer. Por seu próprio bem.

E depois, haja o que houver, tente perdoar a si mesmo. Não se engane. Lembre-se de que você pode enganar o mundo inteiro, mas dorme com a sua consciência, e só a ela deve satisfações.

Casos há em que o remorso de ter cometido uma falha é demorado. Podem se passar anos. Como no caso conhecido na Lei em que um homem se entregou à justiça vinte anos depois de um crime, porque não conseguia mais dormir. Não estou chegando a estes extremos. Você pode ter cometido um deslize menor, mas sempre é tempo de chegar e mostrar que agora seu coração quer paz.

Fará bem para seu ego. E se o outro não puder perdoar, pelo menos você fez sua parte.



sexta-feira, 22 de agosto de 2008

A IMPORTÂNCIA DO AUTO CONHECIMENTO




Parecem apenas palavras usadas na atualidade, mas são mais que isso. Que pode de sã consciência dizer que se conhece em profundidade?

Gostamos de pensar que sim, que não nos resta qualquer dúvida de quem somos, e de repente vemos um fato, na maior parte das vezes, na esfera policial, e nos perguntamos: Eu faria isso?

Não estou pensando nisso por pensar. Hoje, num papo informal com uma pessoa que se queixa de algumas coisas em relação ao marido, me diz esta pessoa que o pai dele tem atitudes que ele repete.

Bem, as atitudes não são um desastre total, são coisas como desejo de controlar tudo, abuso familiar leve, não há estupros, mas um complexo de ser o mandão, aquele a quem a família deve seguir as ordens sem discutir.

Daí surge aquela questão que não pode calar:

Somos nós, ou somos apenas um repeteco dos que nos guiaram pela vida durante nossa infância?

Se tanto eu insisto na infância, é apenas porque nela é que residem as bases do que seremos, é onde se formam nosso ego, nosso superego e onde aprendemos a controlar nosso id.

Ao nascer temos apenas o id, a sede de nossos instintos, e um ego incipiente que começa a se formar mesmo antes do nascimento, por incrível que pareça.

O bebê não nasce totalmente desprovido de ego, mas é um ego em formação, matéria bruta esperando ser burilada.

Mas não tem superego algum.

Não vamos aqui passar pela discussão das fases da formação do ego, mas por aquilo que faz com que nossos egos copiem egos alheios.

Quando o filho admira o pai, ainda que algumas vezes o odeie, ou a mãe, identifica-se com ela ( ela) e se não conseguir desenvolver-se como um indivíduo totalmente desvinculado deles, acabará por se tornar uma cópia.

Hoje nos horroriza o fato de que na história de todos os pedófilos há um histórico de criança abusada. Se a criança foi abusada e sofreu por isso, porque repete a mesma situação?

Por não ter desenvolvido seu próprio ego. Esta criança, que tem seus instintos, id, copia o superego de seus antecessores e na idade adulta repete seus erros.

Antes de um abusador, há sempre outro abusador. Folhas não caem longe das árvores, diz o ditado.

Conceitos de psicanálise deveriam ser ensinados no colégio. Debates sobre este assunto deveriam ser feitos com adolescentes, ou até com crianças.

Há exceções honrosas. Pais maravilhosos que geram monstros. Mas pais psicopatas não geram boas coisas.

Por isso é tão necessário saber: quem sou eu? Como sou em essência? Por que ajo desta ou daquela forma? Por que certas coisas me tocam e outras não?

O indivíduo como um todo tem seu self. O self é quem ele é. Por que a maioria das pessoas atualmente está descontente? Por não saberem exatamente como são.

E por não saberem isso, tentam e buscam sua satisfação, o gozo, na linguagem freudiana, em coisas que na maior parte das vezes nada tem a ver com eles. Copiam dos outros. Não têm na verdade uma personalidade. Vestem o que os outros vestem, vão aos lugares onde os outros vão. Compram o que os outros compram. E se você perguntar: Mas o que você quer da vida, muitos não sabem o que querem.

Então o mal estar na civilização atual é a incerteza, e como se não chegasse a incerteza do próprio sustento, têm a incerteza de seus sentimentos. Daí vem o sentimento de estranheza, de não saber exatamente quem se é.

Parem e pensem. Se pudessem escolher agora, mudar tudo isso, quantos de nós saberia o que fazer? Esta ignorância do si mesmo, leva a uma crise de alienação, onde é infinitamente mais fácil fazer o que se vê os outros fazendo. Mas que não é você!

Você é um ser único, não existe duplicata, mas você vive infeliz porque quer ser como os outros são, consciente ou inconscientemente.

Tente saber quem é você. Reconstrua seu ego, ainda que tardiamente, assuma sua vida, sua mente. Nem todos tem que passar pelas mesmas coisas. O mundo seria um tédio se todos fossem iguais.

Busque sua auto estima, sua capacidade de ser feliz. Que faça isso através de uma técnica sua, de psicologia, de meditação, de recolhimento, mas que venha de dentro de você. Não aceite elementos exógenos. Descubra-se.

Vai ser uma tarefa interessante, a viagem dentro do si mesmo. Pode encontrar fatores dos quais não goste. Elimine-os. Pode achar algo de que goste, mas está escondido. Dê mais ênfase a este.

Pode até ser que descubra que fez tudo errado e quer começar do zero. A despeito de obrigações às quais tenha se comprometido antes, é um direito seu. Inalienável.

E então, só então, poderá equilibrar os elementos de sua psique e dizer: eu me conheço.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O PERDÃO – Parte 1 - Perdoar



Não sou religiosa. Muito pelo contrário, passo a milhas de distância de ser. Respeito profundamente os que crêem em algo, mas esta questão é de fôro íntimo e já vivi bastante para ter chegado às minhas conclusões.

Esta introdução é porque vamos falar em algo que a grande maioria pratica mais por fé e crença, que por convicção pessoal: o perdão.

Perdoar é muito mais que uma palavra. É muito mais que meramente desculpar, e infinitamente mais do que deixar de pensar no assunto para não se machucar.

Perdoar é libertar.

Muitas vezes alguém me pergunta, diante de um fato, se deve perdoar. E minha resposta é invariavelmente a mesma: O que seu coração pede?

Sei que alguns se chocarão com o que penso a respeito do perdão, mas se devo escrever o que sinto, tem que ser assim.

Não se perdoa por bondade. Não se perdoa por altruísmo. Perdoa-se pelo mais alto grau de amor a si mesmo.

Se quiserem entender isso como egoísmo, não estarão compreendendo este texto. Amar a si mesmo é a forma única que temos para ter o coração aberto para poder amar aos outros. Então, como tenho dito antes, inúmeras vezes, ame-se, ame-se de verdade.

Mas como amar a si mesmo, de tal modo a poder dar amor, quando a mente está ocupada com a raiva, o ódio, e a incapacidade de perdoar a quem um dia nos fez mal, ou ainda nos faz?

Em primeiríssimo lugar, quero ser uma pessoa livre. Livre no mais alto entendimento da palavra. E se uso meu tempo, meu pensamento, se me ocupo de coisas do rancor, da lembrança dura, estou desperdiçando este tempo com alguém que não merece isso. E por conseguinte, deixando de me doar a mim mesma e a pessoas que fazem por onde receber de mim carinho, ternura.

Então, não é por ser boazinha que perdôo. Nem porque me ensinaram isso. Perdôo porque sou interesseira mesmo. Quero ser feliz. E não há como ser feliz usando meus pensamentos e sentimentos em causas perdidas.

Perdôo porque quero viver sem sombras em minha vida. Quero uma vida que possa ser aberta como um livro, e lido por todos. Porque só o que quero do mundo é ter minha auto estima bem alta, respeitaar-me cada vez mais, poder dar e receber amor.

Se quiserem dizer egoísmo, vamos brigar um pouco. Isso não é egoísmo. É saber a quem o alvo dos meus sentimentos deve ser dirigido, para que também eu tenha retorno.

Vamos supor que um dia alguém falhou feio comigo. Feio mesmo. Esquecer não se esquece. Não sou um texto que se pode apagar. E fica aquela lembrança ruim, que volta e meia toma conta da minha vida, dos meus melhores momentos. Por que? Porque eu deixo. Porque eu estou dando àquela pessoa uma dimensão muito além do que lhe é devida.

Perdoar não é esquecer. Não é dizer: Tudo bem, estou aqui, erre de novo comigo. Nada disso.

Perdoar é dizer à pessoa, ainda que sem estas palavras: Você não merece nenhum sentimento nobre meu, e vou perdoar para que você siga sua vida, e eu seguirei a minha. Não quero ser uma lembrança pesada em sua mente, nem quero ocupar-me de você. Porisso eu perdôo você. Siga sua vida.

Se a pessoa pede perdão, e este pedido é sincero, saiba que ela sofre muito mais do que você. Se ela pede perdão por pedir, dê assim mesmo. Não interessa a você a intenção do outro. Você é a única pessoa que importa. Você é a pessoa mais importante do mundo. Entendem?

E se a pessoa nem sequer pede perdão, perdôe assim mesmo. Liberte-se deste jugo maligno que você faz consigo mesmo. Carregar uma mágoa não perdoada é um fardo muito doloroso.

Há quem diga: Fulano não merece perdão. Deixe que a consciência dele ou dela diga isso. Não lhe cabe julgar. Afinal você não vai perdoar pensando no outro, mas em si mesmo.

Há muitos anos atrás eu não entendia isso dessa forma. Meu modo de pensar era totalmente diverso de hoje. Achava eu se perdoasse estaria dizendo que aquilo não foi nada, que já não importava, mas falava aquilo socialmente. Não era verdade, eu sabia. Mas era bonito perdoar.

Só que continuava dentro de mim. E a porcaria não saía mesmo.

Um dia, sabe-se lá porque, uma pessoa me aprontou uma. Dessas grandes. E nem pediu perdão nenhum. Era uma pessoa tão arrogante que achava até que estava certa.

Eu esperei. Curti cada minuto da espera. Não foi vingança, com certeza. Nem sei me vingar, acho mesquinho demais. Ficaria um bate boca muito bobo, e não sei me prestar ao ridículo. Mas tinha algo que eu queria dizer. Precisava dizer. Ou não me respeitaria mais, não me amaria mais, não seria capaz de me olhar no espelho.

Daí esperei. Semanas, meses. O dia chegou. Ela nem mais pensava naquilo. Para ela eram águas passadas. E eu cheguei, sem testemunhas, porque certas coisas são melhor a dois, e isso é uma delas.

Fulana, disse eu... Há um tempo atrás você fez isso, isso e isso. Na época eu não disse nada. E nem vou dizer agora. A única coisa que quero de você é que desapareça da minha vida. Se for feliz, ou infeliz, não vai me fazer a mínima diferença. Você nem existe mais para mim. Não chega a ser um vulto, uma sombra. Você não existe. Não pode me magoar, porque o nada não magoa.

Não me peça perdão, porque eu já a perdoei, concluí que você deu o que tinha para dar. Você nem sequer é culpada pelo que aconteceu, dado que sua capacidade de entender não chega a este ponto. Então vá, viva sua vida, procure ser feliz, nunca pense no ocorrido, porque eu não estarei pensando em alguém que nunca existiu na minha vida.

Virei-me e saí, deixando-a possivelmente sem uma palavra na garganta. E a partir daquele momento eu senti que renascia, que meu valor ante meus próprios olhos tinha aumentado, era como se tivesse ficado alta. E meu amor próprio foi nas alturas.

Mas foi uma coisa tão boa! Soube até de algumas coisas boas na vida dela, depois. Ótimo! Sempre desejei o bem da humanidade, e se essa desconhecida, de quem me contavam algo, era feliz, que bom!

Aí me dei conta de que não perdoar destrói, machuca. E perdoar nos faz melhores.

Mas vi a coisa por um lado só. Em outro texto vou ver o perdão através do olhar de quem pede perdão.

Neste aspecto, o de perdoar, pode acontecer de que a pessoa que pediu perdão queira que tudo volte a ser como dantes. Mas isso é muito difícil, falando honestamente. As cicatrizes da alma levam muito tempo a desaparecer. Agora estou falando como psicanalista. Perdoar é não querer traumas dentro de si. É extirpar de si mesmo um câncer que corrói. Mas não é abrir caminho para que o relacionamento volte a ser o mesmo.

Não se esqueçam do que disse algumas vezes. As pessoas não mudam. Se mudam, é para pior. Só com muito esforço alguém muda para melhor. Talvez você aceite o risco. Mas é sempre um risco. Você quer corrê-lo?





segunda-feira, 18 de agosto de 2008

FOBIAS





Fobia é um medo sem justificativas, é um superlativo de medo. Vamos nos deter aqui para falar hoje de duas fobias específicas, a de baratas e a de lagartixas.

As lagartixas tem até muita utilidade, ao comerem insetos, mas despertam em nós uma angústia cujas raízes são atávicas, pela semelhança que têm com lagartos pré-históricos.

Nem todo mundo tem pavor ou fobia de lagartixas, algumas crianças chegam a brincar com elas, mas alguns chegam a ficar paralizados ao observar estas miniaturas dos animais que nossos ancestrais tinham que combater para sobreviver.

Acresça-se a isto a pele gelada, a barriga transparente, que permite ver a mosca inteira lá dentro e as patinhas cheias de aderências que lhes permitem subir por paredes lisas.

Não é propriamente um medo, é uma sensação de “gastura” , um nojo, principalmente pelo péssimo hábito que estas miniaturas de monstros tem, de soltar o rabo, quando pegas por ele, para escapar.

Seria o fato de serem pegajosas? De terem uma língua rápida e longa para atacar o alvo?

Só quem já sentiu uma lagartixa cair contra seu corpo sabe a sensação de asco que isso causa.

Nada ocorre por acaso. Cada um de nós tem uma história de vida, um momento no qual seu tormento inicial ocorreu, e muitas vezes pode ter ocorrido até mesmo em um sonho infantil, quando a verbalização ainda nem era suficiente para contar o que viu, embora as crianças nesta fase ainda não distingam o sonho da realidade.

O fato é que em algum momento da vida houve um trauma. E se alguém, mesmo que sem maldade disse: - Ah! É disso que você teve medo? O pânico retorna reforçado, e o cérebro aprende um comportamento.

Nosso cérebro aprende depressa. Uma ou duas vezes e o padrão fica estabelecido. Daí para a frente até pela televisão ou uma figura em revista são suficientes para evocar o medo inicial.

A única forma rápida de cura vem pela dessensibilização, o enfrentamento, para que gradualmente as sensações de asco, de medo, comecem a desaparecer. Comprar uma lagartixa de plástico, em tudo idêntica e ver que nem é tão horrível, depois colocar alguma beleza nelas, tendo um enfeite colorido no formato do monstrinho, usar um pingente no pescoço, colorido ou de metal.

A terapia cognitivo comportamental tem obtido resultados rápidos usando este método.

Já as baratas, causam asco pela aparência repugnante, pelo fato de serem animais do escuro, e aquilo que se liga com as trevas é sempre mal visto. Os lixões, sempre cheios delas fazem com que as liguemos à pobreza, à falta de higiene ( e de fato é).

Há que fique horas olhando a barata, mas não a mata. Tem sudorese, taquicardia, se houver alguém mais na casa gritam, especialmente as mulheres.

Também no caso da barata, a gênese fóbica começa com uma experiência desastrada, uma barata dentro de uma gaveta onde se coloca a mão, dentro de um calçado no qual colocamos o pé.

Basta uma vez para instalar-se no cérebro a repugnância. No filme O Dia Seguinte, poucas pessoas conseguem olhar a tela quando duas baratas aparecem depois da hecatombe nuclear.

Saber que aquele bicho asqueroso pode sobreviver à raça humana entranha-se em nós de tal forma que só há mesmo uma forma de cortar o medo.

Tive esta fobia. No meu caso começou quando calcei um sapato e ela estava dentro. A partir daí fiz coisas mirabolantes. Venenos por todos os cantos, vedação de qualquer gretinha, entupir a fresta da porta do quarto com pano de chão úmido torcido, e examinar a cama antes de deitar, além de dormir de luz acesa.

Curei-me no dia que decidi que nunca mais iria deixar uma viva. Foi por raiva delas. Eu sou muito mais que uma barata! E me tornei a mais ágil caçadora de baratas do mundo. Nenhuma me escapa. Não apenas as mato. Mato, esgano, esfacelo e toco fogo.

Mas se analisarmos bem, o camarão é tão nojento quanto a barata, tem casca, é cheio de pernas, tem antenas e nós os comemos com prazer.

Vamos entender o ser humano!

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

NARCISISMO –II – O mal estar de uma época







O narcisista não tem nada em si que o faça pensar em si mesmo como aceitável pelo grupo social. Ele não existe, apenas vê o reflexo. E os “outros” são o espelho para ele. Se não é notado quando passa, deixa de existir, e em deixando de existir está morto. É assim que se sente, mas atribui o abandono aos outros. Por não ter nada dentro, é incapaz de criar. Só pode repassar, só reflete.

Para outros nem chega a ser o próprio corpo. São as roupas, geralmente de “griffe”, já que todos se vestem de uma única forma, pobre dele se não fizer o mesmo. E assim vemos aos sábados no Shopping Center o espetáculo dos adolescentes vestidos de uma mesma forma e falando um mesmo dialeto.

Outras vezes o carro, o apartamento no condomínio de luxo, a ostentação quantas vezes nem suportada pela conta bancária!

O pior é que a sociedade capitalista se aproveita da fraqueza do indivíduo para engordar seus faturamentos. Há moda para crianças, pré-adolescentes, adolescentes, e não tem fim a busca por novos consumidores.

O que isto nos diz, dentro da visão do Narcisismo?

Não é bem o bebê que se sente feliz dentro de roupas de moda. Uma criança fica feliz bem alimentada, seca na outra extremidade e preenchida em suas necessidades afetivas.

A roupa de marca não lhe diz nada, muito menos o brinquedo caro. Quantas vezes a criança brinca mais com a caixa onde veio o brinquedo que com o próprio?

Mas diz muito para a mãe! Os interesses do bebê não estão em pauta. Ela pensa ser boa mãe. No entanto o que faz é exibir o filho.

Estamos ou não criando psicóticos?

Revendo situações narcísicas, pessoas narcisistas, parece-me que o mal é, como diz Lowen, uma questão cultural de nossa época. Por ser uma questão cultural afeta a sociedade. Torna-se contagiosa.

Todos sentimos, coletivamente, esta frieza que esmaga a sociedade atual. O medo do abandono causado pelo desemprego, o medo gerado pela insegurança física, a alta competitividade, são preços a pagar pelo progresso.

Uma posição particular que defendo em relação ao narcisismo, é que ele seja um mecanismo de defesa do ego, como já coloquei anteriormente. Ou um mecanismo de prevenção que o ego usaria, já tentando antecipadamente se defender de tudo e de todos.

O que o psicanalista pode dizer diante de tal quadro? Pode apenas ajudar seu paciente a viver no mundo, e não contra este.

Se por um lado o narcisista pode passar a vida toda tentando conseguir uma imagem, jamais passa-lhe pela cabeça o quanto de dor e desapontamento ele causa aos outros.

Entranhado em sua própria angústia, que é a de não se conhecer, de não saber com certeza quem é, arrasta ao desespero quem dele se aproxima buscando afeto.

Narciso não sabe amar.

Neste aspecto jamais cresceu, é apenas a criança mal saída do útero, esperando receber e sempre achando que nunca lhe foi dado nada.

Narciso só sabe esperar que admirem sua beleza, que apreciem sua arrogância, e não tentem arranhar o fraco polimento que mal lhe cobre a superfície. Não tem o que dar, não sabe sequer que deve fazê-lo.

Alexander Lowen diz:

“Nossa época é caracterizada por uma tendência a transcender limites e o desejo de negá-los. Limites existem, e factualmente vamos encontrá-los”.

Em seu maravilhoso livro “Narcisismo, negando o verdadeiro self”, Lowen diz que “a rejeição dos limites sociais, expressos em moral ou códigos de comportamento, promove a atitude narcisista”.

Mais ainda:

“Quando uma estrutura se destrói, dentro de uma sociedade, o caos se desenvolve, criando-se uma atmosfera de irrealidade.”

A quebra da estrutura social manifesta na desintegração da família, na falta de respeito pelas autoridades, e no colapso dos princípios morais destrói ligações, remove limites, e leva à negação dos sentimentos e à perda do self.

Na cultura atual isto pode ser descrito até mesmo como estilo de vida.

Afinal somos ensinados a sermos livres para criar nosso estilo de vida e nossa própria personalidade. Contudo, se uma casa sem moradores não é um lar, um estilo de vida sem um self não é uma pessoa.

A ausência de limites atualmente é um produto das mudanças extremas ocorridas após a 2ª Guerra Mundial, muito em função de tecnologias criadas durante e após a guerra.

Contudo para os indivíduos equilibrados, as mudanças servem para que se tenha mais conforto. Já para outros a tecnologia substituiu completamente o senso de valores.

Para muitos, nem adianta perguntar o que é o senso de valores. É algo que ficou perdido no tempo.

Ouso questionar onde estará o senso comum, o respeito, o afeto, as pequenas e grandes coisas que se ensinava no lar e na escola. Esta sociedade brutal, herdeira do consumismo, filha da arrogância, engoliu-as.

Não há porque pensar nos costumes, na herança das civilizações. Tudo foi destruído. O cientista político Lasch alertou o mundo.
Mas Lasch não foi derrotista em seu alerta. O mundo nunca mais foi o mesmo após seu brado. Não acreditaram. Nem trinta anos são passados desde que seu livro foi editado, e a profecia está aí. Realizada.

Lasch avisou ao mundo sobre o risco. Foi contestado. O mundo pagou o preço do descrédito.

Nada resta a fazer agora senão reconstruir.

Como um país destruído que reclama sua reconstrução, a sociedade como um todo precisa ser refeita.

Ciência, política, sociedade, ser. Tudo está ainda por merecer conserto.

E então penso em Narciso, rindo para si mesmo, uma imagem movendo-se com o mover das águas, e sinto que hoje, de uma ou outra forma, todos somos Narcisos, refletidos de um modo deformado, numa imensidão de água suja.

NARCISISMO I - Mal estar de uma época


O narcisismo parece ser o mal da época, onde não há senso de limites.

Os negócios são conduzidos desta forma, a ciência não parece ter limitações, o poder, as realizações, a produtividade passaram a ser os valores dominantes, deslocado as virtudes ultrapassadas, como dignidade, integridade, respeito próprio.

Quando comentei com algumas pessoas sobre o narcisismo, ouvi comentários sobre pais narcisistas, crianças que cresceram vazias, sobre seios bons e seios maus, sobre homossexualidade, sobre suicídio.

Ouvi sobre pessoas que se nutrem de elogios de outras.

Mas muito poucos se deram conta do narcisismo no contexto social, muito menos ainda quando falei em globalização narcisista.

Na verdade o narcisismo não é apenas um problema pessoal.

É pessoal no sentido em que suas vítimas, os narcisistas, são pessoas, mas o fenômeno tem um componente social muito forte, e que é geralmente ignorado.

É social pelo fato de que o narcisista não causa dano apenas a si próprio, mas à família, ao grupo e a desestruturação do meio em que vive.

Quando se vive numa sociedade mais ou menos homogênea, como uma sociedade tribal, os papéis de cada indivíduo são quase que determinados antes de seu nascimento, e poucos ou nenhum componente daquele grupo tem algo a acrescentar ao que já existe.

Tomemos por exemplo uma população indígena, do tipo que existia há uns séculos, no Brasil.

Todos os componentes do grupo cresciam tendo as mesmas atribuições e direitos, todos passavam pelos mesmos processos.

Os rituais de passagem se repetiam, geração após geração, os casamentos, nascimentos, mortes, ocorriam e eram comemorados ou pranteados por todos, e ninguém sentia algum tipo de inferioridade em relação a outro indivíduo.

A criação das crianças era parte do trabalho do grupo, e todas recebiam o mesmo tipo de educação, que visava o continuísmo de algo determinado, que vinha funcionando.

Na verdade não se pode dizer que nos dias atuais isto persista, pois a interferência de estranhos ao grupo fez-se presente, e introduziu elementos novos, nem sempre favorecedores.

Uma sociedade tal como a descrita, o grupo étnico fechado, não dava ensejo a que alguém desejasse ter algo que não tinha, e que o outro tinha, pois todos recebiam na mesma medida, desde a formação do ego.

Nada havia que fosse objeto do desejo e que não fosse possível, sendo os desejos satisfeitos quando chegava o tempo para isto ocorrer.

Não havia uma “oca” mais bonita que a outra, nem cocares mais bonitos, arcos ou flexas melhores que fossem inacessíveis.

Se um índio desejava a mulher do outro, era uma questão resolvida pacificamente. Pelo menos na maioria das tribos. Dava-se uma sova na mulher e deixava que fosse para a oca ao lado.

Todos dividiam o produto do trabalho na lavoura, o fruto da caça. As tarefas divididas. Esta sociedade não conhecia o significado de querer além de seus limites.

O mesmo não se pode dizer de uma sociedade como a que vivemos, seja numa grande metrópole, seja numa cidade de interior, onde cada qual vive do fruto de seu próprio trabalho, e não existe um bem comum.

Nesta sociedade há comparações, há disputas, há inveja. Se o carro do meu vizinho é melhor que o meu, logo preciso trocá-lo, ou ficarei em desvantagem social.

Dentro de um certo limite, isto não é de todo mau, dado que incentiva a vontade de progredir, de se manter em melhora constante.

Mas, existe um ponto de equilíbrio entre o que é normal e o que já passou para um terreno perigoso.

Este limite, que nem sempre é sentido, e que pode parecer a muitos o que se conhece por “garra”, por espírito empreendedor, é muito tênue. Há uma linha divisória invisível que pode parecer inexistente.
É esta linha que separa um comportamento normal de um comportamento borderline.


Quando o indivíduo luta por um ideal, mas sabe se manter dentro de um contexto absolutamente racional, ele é considerado normal, tanto quanto podemos entender a palavra normal, já que não existe nenhum parâmetro para definir normalidade.

Aqui seria preferível então se usar a palavra “equilibrado”, em vez de normal.

Quando por outro lado o desejo se torna obsessivo, a tal ponto que a relação objetal ultrapassa a razão, falamos de personalidade narcísica.

Isto se vê muito na atualidade, em relação à moda, ao culto do corpo, compras supérfluas, enfim, o ter superando o ser.

Admitimos que tanto o narcisismo propriamente dito, como a personalidade narcísica social tenham a mesma origem, já comentada.

Paula Heimann, em “Notas sobre a Fase Anal” (1962) relembra conceitos de Freud, em que ele dizia que a civilização ergue barreiras e exerce demandas para que os indivíduos renunciem às satisfações de seus impulsos narcísicos, e que o narcisismo persistente através da vida seria uma das imperfeições humanas.

Mário Pacheco A. Prado, em “Narcisismo e Estados de Entranhamento” (1988) cita um exemplo de entranhamento originado por inveja.

Por ter ouvido o professor falar bem de certo livro, o aluno o compra, mesmo sem conseguir lê-lo, já que está em língua estrangeira, e ele não a domina.

Passa então a andar com o livro debaixo do braço e sente fantasticamente bem. Passa a sentir-se o próprio professor. “O hábito fazendo o monge” seria uma expressão cabível aqui.

Quantos exemplos como este não vemos no cotidiano?

Na sociedade atual o valor atribuído ao corpo, à perfeição das formas físicas, à eterna juventude tem mostrado as nuances narcisísticas de um número tão grande de pessoas que chega a causar estranheza o fato de que ignorássemos até algum tempo este número.

O objeto é colocado num corpo “sarado”, num rosto “botoxizado” sem rugas, em um número alarmante de pessoas anoréxicas e bulímicas.

Vale-se pelo que se mostra competitivamente. O silicone virou objeto de desejo, e não importa que se saiba que é silicone. Portanto não se esconde mais nada.

Isto é o narcisismo mais “escancarado” possível. O narcisismo exige platéia, admiradores, alimenta-se dos olhares alheios. Se o “bumbum” precisa enchimento, coloca-se mais silicone, e avisa-se aos amigos que a “turbinagem” é nova.

Ora, independentemente do fato de que há centenas de indústrias enriquecendo-se por detrás disso tudo, o que não é definitivamente ruim, já que geram empregos, observa-se que hoje o narcisismo não é mais algo a ser escondido.

Por isso o chamo narcisismo social. É o que se divide com os outros.

Ninguém precisa ter medidas perfeitas, ou mais que perfeitas para ser um indivíduo feliz, sem complexos. Mas o narcisismo de nossa época não se cansa de esfregar debaixo do nariz os imensos cartazes onde só sorriem os bem-aventurados “belos”.

E o narcisista precisa do aplauso. Necessita da aprovação pública, porque ele não tem um self próprio.

Ou os outros o admiram e tornam pública a admiração ou ele se arrasa.

Quando há uma razão lógica para uma cirurgia plástica, é até mesmo apropriado, para restabelecer a auto confiança, a auto estima.

Isto é natural, e muitas vezes esta auto estima é perdida devido a um perfil horroroso, e muitas horas de terapia poderiam ser economizadas desta forma.

Mas não se aceitar o processo de envelhecimento normal e querer aparentar vinte anos, aos quarenta, é sinal de narcisismo, que em última análise é o nada dentro de si, a falta de substância, o estofo feito do nada.

Este é apenas um exemplo, catado ao acaso dentre milhares. É difícil hoje em dia o contrário, achar algo não narcisista.

sábado, 9 de agosto de 2008

AMOLAÇÕES DA VIDA

Uma coisa é certa, como 2+2=4. Se você é um ser vivente, não escapará de ter amolações de vez em quando.

Pode até achar que não, que está tudo sob controle, e de repente, pumba! Em geral uma amolação também não vem sozinha. Sempre traz consigo outras e de repente você está com aquela vontade de jogar tudo para o alto e sumir.

E por que não faz isso? Porque não pode, tem compromissos, tem emprego, não é livre como pensava que fosse.

Então tenha calma. Pelo menos isso. Não é se martirizando que vai resolver nada. Além do mais meu ditado favorito é : "Tem sempre um dia atrás do outro, com uma noite no meio". Você não precisa resolver nada agora, precisa?

Meu amigo, se já foi para o SPC, Serasa, se seu carro foi para a oficina, vai melhorar em algo você ter uma bela dor de cabeça?

E você já viu algum mal durar para sempre? A menos que no mesmo dia sua mulher fuja com seu melhor amigo, sua filha venha lhe contar que está grávida, você perder seu emprego, relaxe...Até mesmo se tudo isto acontecer, relaxe. Tome uma meia dúzia de cervejas, está sem carro, alugue uns filmes e veja coisas relaxantes, e deixe os problemas para o dia seguinte.

Tome um banho quente ou frio, conforme o clima, de duas horas ( a água sempre dá ótimas inspirações), cante com sua terrível voz, mas nem pense nos problemas. Nem ouse pensar. Dispense os chatos de plantão, e se possível, já está ferrado mesmo, ouse se dar algo que você nem pode comprar.

Não leve os problemas para a cama. Muito menos, antes de dormir, não coma nervoso, para não ter indigesão. Também nem planeje sua vida. Viva ao sabor da brisa.

Se lhe for possível deixar de trabalhar um ou dois dias, melhor. Se não for possível, vá trabalhar mantendo todos os problemas longe de você.

A vida funciona como uma senóide. Uma onda. Tem picos maravilhosos, pontos neutros e fundos de poço. E só quando se chega ao fundo do poço é que se começa a subir mesmo.

Se você conseguir agir desta forma, vai descobrir que o problema do seu carro não era tão sério como parecia. Que ficar sem crédito até sair aquele dinheiro no final do ano pode até ser bom para não se individar mais. E aí estará na rota de ascenção da onda. Lembre-se de quantas vezes você já passou por coisas iguais. Ou piores. E saiu, não foi?

Mas aproveite a ocasião para pensar em algo, sim: será que a forma pela qual vem vivendo está certa? Está dando a si mesmo o melhor? Seu trabalho é agradável?

Quem sabe isto não está acontecendo porque sua mente está lhe dando um recado? E se sua psique já não suporta mais aquele chefe? Ahá, pensou isso agora?

Quanto tempo faz que você não sai de férias? Quanto tempo faz que não vê seus velhos? Quanto tempo faz que sua vida é uma rotina que mais parece aquele filme do dia da marmota?

Contanto que não agrida ninguém, dê uma de doido mesmo. Saia antes do expediente acabar e faça as coisas que já falei. Ah, e desligue o telefone. Num dia destes até as chamadas são amolações. E telefone é para servir a você, não aos outros.

No outro dias as coisas já estarão melhores. E a cada dia mais. Mas aproveite a crise. Elas existem para nos empurrar para a frente, para nos tirar do marasmo, da mesmice. E depois me conte.

sábado, 2 de agosto de 2008

VOCÊ EM PRIMEIRO LUGAR


A religião ensinou que devemos pensar nos outros primeiro, e fomos também ensinados a isso em casa.

Mas do ponto de vista psicanalítico, se você não está feliz consigo mesmo, o que pode dar aos outros? Já se questionaram sobre isso?

Uma mulher infeliz no casamento pode dar algum amor aos filhos? Pode tentar protegê-los, mas amá-los? Desde quando de um poço seco se tira água?

Para que você dê amor, tem que receber amor. Se você só dá, logo não terá mais para dar, e vamos parar com esta comédia que amor, quanto mais se dá mais se tem.

Nunca vi mentira maior. Um ser humano só é equilibrado, e isto a física explica, se ele dá tanto quanto recebe.

Então vamos aprender o EU PRIMEIRO.

EU PRECISO ser feliz, para poder ajudar os outros a serem felizes.

Mais ainda: ninguém pode fazer ninguém feliz. Felicidade é algo que se conquista. E só se conquista quando se está em paz consigo mesmo.

Quem faz o que os outros querem, está tentando comprar simpatia, querendo comprar afeto, e estas coisas não se compram.

Então, autenticidade, por favor.

Sejam vocês. Agrade a quem agradar. Quem não estiver feliz com você sai fora. Mas jamais se dobrar para agradar A ou B.

No dia em que vocês forem de fato vocês, se considerarem verdadeiramente para se colocarem em nº 1, serão mais respeitados, e então poderão ser amados pela pessoa que são, não pelo que querem que você seja.

Vejo muito isso. Gente tentando agradar gente. Que coisa mais boba. Sejam quem são. Com certeza agradarão uns, outros não. Mas aqueles a quem agradarem serão amigos fiéis, e respeitarão quem você é.

Só a partir daí é possível receber e dar amor. O que adianta se sacrificar, o que na maioria das vezes traz infelicidade, pensando que estão agradando?

No mínimo pessoas falsas, é o que serão.

Então, coragem! Mostrem suas caras, Quem gostar gostou, quem não gostar se afaste. Ninguém vai perder com isso.

E então conseguirão receber e dar amor. Receber e dar amizade. E a se respeitar de verdade.

Todos que conheci que fizeram sacrifícios ( que palavra horrorosa) pelo demais, além de não ajudarem ninguém, ainda se violentaram.

Sejam o nº 1 de suas vidas. Se mimem, se agradem, façam o que queiram fazer.

Eu não gosto e ninguém de verdade gosta de gente que se coloca lá embaixo, achando que com isso fazem algo pelos outros.

No momento em que “os outros” aceitam vocês como são, então estarão amando vocês, e vocês terão suprido seus poços e poderão dar amor.

Pensem nisso.