
Interpretação de Sonhos segundo Freud
Na verdade a interpretação do conteúdo onírico ( sonhos) é a chave para a análise. A “ Interpretação dos Sonhos” de Freud, em 1890 é o primeiro tratado científico sobre o assunto.
No sonho freudiano considera-se o material do sonho, a origem dos símbolos, o sonho como meio de satisfação, como forma de linguagem distorcida, além da função do psicanalista na compreensão dos mesmos. O sonho é uma “estrada real” para o inconsciente, no dizer de Freud.
Na fala real usamos conceitos. Na fala real existe tempo e espaço, sim e não e moralidade. É uma linguagem formada no consciente. Já os sonhos originam-se no inconsciente, e a fala é simbólica, imagética e onírica. Não existem os conceitos de sim ou não, a fala é amoral ( não confundir com imoral), atemporal e aespacial.
Um único sonho pode cobrir um vastíssimo espaço de tempo, e um único personagem pode representar vários, assim como personagens diferentes podem representar aspectos diversos da psique do sonhador.
Algumas vezes o inconsciente lança dardos que afloram o consciente, trazendo durante uma conversação lógica, palavras que não fazem sentido, aparentemente, na forma de atos falhos, os “lapsus linguae” ( linguagem usada por Freud).
Por vir do inconsciente, o sonhos nos dá ferramentas para identificar o que existe por lá, e esta ferramenta é a associação livre, feita com o pensamento onírico.
O sonho não se revela ao consciente tal como é produzido, ele se camufla.
Há dois conteúdos: o latente e o manifesto. O latente é o sonho que tem de ser pesquisado na análise, mas que não é o relato do sonhador. O manifesto é como ele é lembrado ao acordarmos.
Como a técnica da psicanálise se constitui de 4 partes: a análise, o confronto, a interpretação e a elaboração, surge aqui na teoria dos sonhos uma questão interessante.
Seria possível analisar um psicótico em relação aos sonhos, pois ele, por não ter a barreira entre inconsciente e consciente me mostraria logo o conteúdo latente.
Mas as outras partes da análise não seriam possíveis.
No sonho há 5 processos:
Condensação ( para reduzir um conteúdo a poucas imagens)
Deslocamento ( para esconder do consciente a realidade)
Simbolismo ( onde o que se sonha não é realmente real, mas mostrado em símbolos)
Dramatização ( aqui se colocam os símbolos formando uma historinha, às vezes sem pé nem cabeça)
Elaboração Secundária ( onde se tenta dar um sentido ao sonho)
Para o psicanalista a elaboração é o mais importante, ainda que o paciente crie elementos adicionados posteriormente. Ele deve partir da elaboração secundária e chegar até a condensação, e descobrir o elemento causador do trauma.
Ele ( Freud) entendia que é possível chegar ao conteúdo latente a partir do conteúdo manifesto. Para ele o sonho é um fenômeno psíquico cuja expressão mais se aproxima do nosso mundo interno. É quando o Ego toca o inconsciente e se defende a partir dos mecanismos de disfarce.
A interpretação é um recurso terapêutico, cujo valor na análise é avaliar e medir a evolução do caso. É importante que o paciente seja informado da marcha de sua cura. É interessante que apesar de camuflado, o sonho não tem a pretensão de agir no encobrimento de sucessos neuróticos.
O sonho pode ser um aviso. O inconsciente pode estar pedindo socorro, e dando ao Ego, ainda que sutilmente, elementos para que o consciente elabore.
É importante que se diga, que se pudessemos ver o conteúdo latente ao invés do conteúdo manifesto, muitas vezes iríamos nos horrorizar.
O sonho é também um produto psíquico individual e é de extrema importância na técnica psicanálítica para trazer à consciência experiências esquecidas.
A emoção guardada ( reprimida) em uma experiência esquecida e trazida à tona através de um sonho oferece através das associações feitas a partir dele, o alargamento das fronteiras do Ego, por ajustamentos psíquicos, conseguidos na transferência.
Durante a análise o Ego assimila o conhecimento do inconsciente.
Sonhos podem também ser traduzidos pictoricamente ( figuras) e a mente incosciente é hábil, como na poesia, na arte do trocadinho, do jogo de palavras, e de metáforas.
Vemos um pouco do mecanismo da Formação dos Sonhos:
Na formação dos sonhos, como vimos há uma série de mecanismos. Vamos falar mais longamente sobre isso:
Condensação: Creio que a palavra fala por si mesma. O sonho abrange com um símbolo ou figura uma grande extensão de tempo, confere qualidade a um indivíduo ou mais de um, ou mesmo, todos os indivíduos podem ser apenas o sonhador. A evocação não se limita apenas ao dia, mas pode evocar fantasias e emoções de qualquer época, aparentemente desconexas do conteúdo central.
A condensação ocorre atendendo o interesse inconsciente de um fato, juntando pensamentos, emoções, figuras, podendo agrupá-las em uma única frase, idéia ou personagem. É um processo essencial no funcionamento mental, tanto inconsciente quanto consciente.
Deslocamento : Faz parte da Camuflagem, o consciente o coloca como censura, transferindo ou deslocando o elemento que deveria estar no plano principal para um segundo plano, de modo a trazer a informação para o conteúdo manifesto, já peneirada por uma censura prévia. Esta censura é ditada pelas normas sociais aprendidas pelo indivíduo, que não quer afrontar a si mesmo e aos outros. Pode ser também uma forma de negação do fato.
Simbolismo : É a “forma” de deformar os pensamentos oníricos ( do sonho) e talvez a mais difícil de interpretar, dado que mesmo para um único sonhador o símbolo pode ter vários significados. Alguns símbolos contudo são universais.
A experiência psicanalítica demonstra que as idéias são simbolizadas , referem-se aos fatores fundamentais de nossa existência real, a saber, nossos próprios corpos, a vida, a morte, a procriação.
O conhecimento de elementos da vida do paciente é de extrema importância para o psicanalista. Ele precisa de dados sobre o paciente para abrir caminho na compreensão do simbolismo. Por isso é arriscado interpretar sonhos de quem não é nosso paciente.
O mecanismo pode diferir grandemente de um para outro indivíduo, embora os símbolos universais possam estar presentes.
Símbolos Universais – Casa ( mente), Água ( vida), Estrada ( caminho), Dirigir um carro ( estar no controle), Chuva fina ( bênçãos), Chuva forte ou temporal ( Riscos).
Símbolos Locais – São aqueles conectados em geral com o país e a época em que a pessoa vive.
Símbolos Pessoais – Aí o psicanalista só consegue interpretar se conhecer bem o paciente. Um objeto para mim pode significar algo que para outra pessoa tem significado totalmente diferente.
Dramatização: E a teatralização do sonho, elaborado pelos mecanismos oníricos, com o material do pensamento latente. Esta fase é interessantíssima, porque a mente produz histórias, com ou sem lógica, e geralmente com um conteúdo cheio de emoção. As emoções são importantes de serem relatadas ao se contar um sonho, elas dizem muito mais do que parecem. É o que chamamos de colorido do sonho.
Desta forma a mente pré-consciente toma os pensamente produzidos pelo inconsciente, os condensa inicialmente para caberem num tempo pequeno ( faz uma síntese), os camufla, para que não cheguem de modo aterrorizante ou não socialmente aceitáveis ( embora hajam sonhos aterrorizantes e socialmente inaceitáveis, sim) e chegam ao consciente na forma de um filme, uma peça teatral, e eu acho isso tão inteligente!!!
Elaboração Secundária : Poderia definí-la com uma dramatização secundária, onde elementos faltantes na dramatização são colocados pelo sonhador de tal modo a que forme uma história coerente.
Todo sonho deve ser interpretado. Ele traz informações do subconsciente, quando os fatos ligam-se ao que acontece no momento, e do inconsciente quando parecem nada ter a ver com a vida atual, ou quando sonhamos com a infância ou com pessoas que já morreram, ou com assuntos que não entendemos bem.
Entender um sonho e discutí-lo é parte da análise.
Embora o paciente queira apenas discutir o que sonhou, é bom entender porque sonhou. Sonhos repetitivos indicam que há uma urgência em resolver aquele problema.
Sonhos que estão sendo interpretados acertadamente tornam a se repetir, mas dando elementos novos. Isto está no outro texto sobre sonhos.
Na verdade a interpretação do conteúdo onírico ( sonhos) é a chave para a análise. A “ Interpretação dos Sonhos” de Freud, em 1890 é o primeiro tratado científico sobre o assunto.
No sonho freudiano considera-se o material do sonho, a origem dos símbolos, o sonho como meio de satisfação, como forma de linguagem distorcida, além da função do psicanalista na compreensão dos mesmos. O sonho é uma “estrada real” para o inconsciente, no dizer de Freud.
Na fala real usamos conceitos. Na fala real existe tempo e espaço, sim e não e moralidade. É uma linguagem formada no consciente. Já os sonhos originam-se no inconsciente, e a fala é simbólica, imagética e onírica. Não existem os conceitos de sim ou não, a fala é amoral ( não confundir com imoral), atemporal e aespacial.
Um único sonho pode cobrir um vastíssimo espaço de tempo, e um único personagem pode representar vários, assim como personagens diferentes podem representar aspectos diversos da psique do sonhador.
Algumas vezes o inconsciente lança dardos que afloram o consciente, trazendo durante uma conversação lógica, palavras que não fazem sentido, aparentemente, na forma de atos falhos, os “lapsus linguae” ( linguagem usada por Freud).
Por vir do inconsciente, o sonhos nos dá ferramentas para identificar o que existe por lá, e esta ferramenta é a associação livre, feita com o pensamento onírico.
O sonho não se revela ao consciente tal como é produzido, ele se camufla.
Há dois conteúdos: o latente e o manifesto. O latente é o sonho que tem de ser pesquisado na análise, mas que não é o relato do sonhador. O manifesto é como ele é lembrado ao acordarmos.
Como a técnica da psicanálise se constitui de 4 partes: a análise, o confronto, a interpretação e a elaboração, surge aqui na teoria dos sonhos uma questão interessante.
Seria possível analisar um psicótico em relação aos sonhos, pois ele, por não ter a barreira entre inconsciente e consciente me mostraria logo o conteúdo latente.
Mas as outras partes da análise não seriam possíveis.
No sonho há 5 processos:
Condensação ( para reduzir um conteúdo a poucas imagens)
Deslocamento ( para esconder do consciente a realidade)
Simbolismo ( onde o que se sonha não é realmente real, mas mostrado em símbolos)
Dramatização ( aqui se colocam os símbolos formando uma historinha, às vezes sem pé nem cabeça)
Elaboração Secundária ( onde se tenta dar um sentido ao sonho)
Para o psicanalista a elaboração é o mais importante, ainda que o paciente crie elementos adicionados posteriormente. Ele deve partir da elaboração secundária e chegar até a condensação, e descobrir o elemento causador do trauma.
Ele ( Freud) entendia que é possível chegar ao conteúdo latente a partir do conteúdo manifesto. Para ele o sonho é um fenômeno psíquico cuja expressão mais se aproxima do nosso mundo interno. É quando o Ego toca o inconsciente e se defende a partir dos mecanismos de disfarce.
A interpretação é um recurso terapêutico, cujo valor na análise é avaliar e medir a evolução do caso. É importante que o paciente seja informado da marcha de sua cura. É interessante que apesar de camuflado, o sonho não tem a pretensão de agir no encobrimento de sucessos neuróticos.
O sonho pode ser um aviso. O inconsciente pode estar pedindo socorro, e dando ao Ego, ainda que sutilmente, elementos para que o consciente elabore.
É importante que se diga, que se pudessemos ver o conteúdo latente ao invés do conteúdo manifesto, muitas vezes iríamos nos horrorizar.
O sonho é também um produto psíquico individual e é de extrema importância na técnica psicanálítica para trazer à consciência experiências esquecidas.
A emoção guardada ( reprimida) em uma experiência esquecida e trazida à tona através de um sonho oferece através das associações feitas a partir dele, o alargamento das fronteiras do Ego, por ajustamentos psíquicos, conseguidos na transferência.
Durante a análise o Ego assimila o conhecimento do inconsciente.
Sonhos podem também ser traduzidos pictoricamente ( figuras) e a mente incosciente é hábil, como na poesia, na arte do trocadinho, do jogo de palavras, e de metáforas.
Vemos um pouco do mecanismo da Formação dos Sonhos:
Na formação dos sonhos, como vimos há uma série de mecanismos. Vamos falar mais longamente sobre isso:
Condensação: Creio que a palavra fala por si mesma. O sonho abrange com um símbolo ou figura uma grande extensão de tempo, confere qualidade a um indivíduo ou mais de um, ou mesmo, todos os indivíduos podem ser apenas o sonhador. A evocação não se limita apenas ao dia, mas pode evocar fantasias e emoções de qualquer época, aparentemente desconexas do conteúdo central.
A condensação ocorre atendendo o interesse inconsciente de um fato, juntando pensamentos, emoções, figuras, podendo agrupá-las em uma única frase, idéia ou personagem. É um processo essencial no funcionamento mental, tanto inconsciente quanto consciente.
Deslocamento : Faz parte da Camuflagem, o consciente o coloca como censura, transferindo ou deslocando o elemento que deveria estar no plano principal para um segundo plano, de modo a trazer a informação para o conteúdo manifesto, já peneirada por uma censura prévia. Esta censura é ditada pelas normas sociais aprendidas pelo indivíduo, que não quer afrontar a si mesmo e aos outros. Pode ser também uma forma de negação do fato.
Simbolismo : É a “forma” de deformar os pensamentos oníricos ( do sonho) e talvez a mais difícil de interpretar, dado que mesmo para um único sonhador o símbolo pode ter vários significados. Alguns símbolos contudo são universais.
A experiência psicanalítica demonstra que as idéias são simbolizadas , referem-se aos fatores fundamentais de nossa existência real, a saber, nossos próprios corpos, a vida, a morte, a procriação.
O conhecimento de elementos da vida do paciente é de extrema importância para o psicanalista. Ele precisa de dados sobre o paciente para abrir caminho na compreensão do simbolismo. Por isso é arriscado interpretar sonhos de quem não é nosso paciente.
O mecanismo pode diferir grandemente de um para outro indivíduo, embora os símbolos universais possam estar presentes.
Símbolos Universais – Casa ( mente), Água ( vida), Estrada ( caminho), Dirigir um carro ( estar no controle), Chuva fina ( bênçãos), Chuva forte ou temporal ( Riscos).
Símbolos Locais – São aqueles conectados em geral com o país e a época em que a pessoa vive.
Símbolos Pessoais – Aí o psicanalista só consegue interpretar se conhecer bem o paciente. Um objeto para mim pode significar algo que para outra pessoa tem significado totalmente diferente.
Dramatização: E a teatralização do sonho, elaborado pelos mecanismos oníricos, com o material do pensamento latente. Esta fase é interessantíssima, porque a mente produz histórias, com ou sem lógica, e geralmente com um conteúdo cheio de emoção. As emoções são importantes de serem relatadas ao se contar um sonho, elas dizem muito mais do que parecem. É o que chamamos de colorido do sonho.
Desta forma a mente pré-consciente toma os pensamente produzidos pelo inconsciente, os condensa inicialmente para caberem num tempo pequeno ( faz uma síntese), os camufla, para que não cheguem de modo aterrorizante ou não socialmente aceitáveis ( embora hajam sonhos aterrorizantes e socialmente inaceitáveis, sim) e chegam ao consciente na forma de um filme, uma peça teatral, e eu acho isso tão inteligente!!!
Elaboração Secundária : Poderia definí-la com uma dramatização secundária, onde elementos faltantes na dramatização são colocados pelo sonhador de tal modo a que forme uma história coerente.
Todo sonho deve ser interpretado. Ele traz informações do subconsciente, quando os fatos ligam-se ao que acontece no momento, e do inconsciente quando parecem nada ter a ver com a vida atual, ou quando sonhamos com a infância ou com pessoas que já morreram, ou com assuntos que não entendemos bem.
Entender um sonho e discutí-lo é parte da análise.
Embora o paciente queira apenas discutir o que sonhou, é bom entender porque sonhou. Sonhos repetitivos indicam que há uma urgência em resolver aquele problema.
Sonhos que estão sendo interpretados acertadamente tornam a se repetir, mas dando elementos novos. Isto está no outro texto sobre sonhos.








