Eu diria que alguns consideram o ciúme uma psicopatologia. De fato, em certas situações chega a ser mesmo. Componente normal do ego é que não é.
Acabo de ler uma nota científica na internet, falando sobre polvos, e dizendo que eles podem sentir ciúmes. Assim a coisa não é apenas própria do ser humano.
Uma coisa interessante que observei pessoalmente foi o ciume de minha cachorrinha, quando tinha por volta de dez meses, e eu comprei um pet, um macho, pensando que depois eles poderiam vir a ser namorados.
O ciume dela foi tão intenso, que ela não deixava o pobre filhote sequer beber água. Batia no cachorrinho, latia ameaçadoramente, avançava nele, mesmo tendo comidas separadas, não o deixando alimentar-se. Apavorava-o literalmente, e mesmo que eu os colocasse em ambientes separados o filhote tinha tanto medo que parou de comer e beber, e acabou morrendo, depois de alguns problemas de saúde.
Vi muitos episódios de ciúme entre crianças, irmãos, colegas de escola. Vi crianças inventando mentiras para ver outros punidos, de tal forma que se tornassem os bons, enquando os outros seriam os maus.
E curioso, vi isso entre crianças bem pequenas, com uma experiência de vida tão curta ainda, que parecia terem nascido daquela forma.
As raízes do ciúme podem estar embutidas até mesmo geneticamente, pois já foi provado que gêmeos disputam espaço mesmo antes de nascer, e há casos de fetos que “matam” outros, ainda no útero.
Conversando com uma menina de dois anos, ela me disse: Você pode falar com minha mãe, MAS eu não deixo a Fulana falar. A Fulana era irmã mais velha. Então, a quase recém chegada já queria disputar espaço com quem tinha chegado primeiro.
Vi também situações de ciúme escancarado entre colegas de trabalho, que se sentiam preteridos pelo chefe, não porque lhes dessem mais trabalho, mas porque não lhes tinham dado uma determinada tarefa.
Há várias linhas de pensamento sobre a gênese do ciúme. Baixa auto estima, alguns dizem; medo de perder uma situação confortável, dizem outros. Há quem diga que faz parte do temperamento.
Meu modo de ver é que não se tem ciume, o verbo certo não é Ter, mas Ser. Uma pessoa é ciumenta. Outra não.
Ciúme pode ser dissimulado, por muito tempo, mas não para sempre. Quem é ciumento, cedo ou tarde acaba mostrando isso.
O ciume não necessita de razões. Se bem que entre meus pacientes tenho observado uma incidência maior em alguns tipos de pessoas, não consegui ainda descobrir o que torna alguém ciumento, e dentro de condições idênticas, outro não é.
Há uma linha de pensamento que afirma que o ciumento é inseguro, ou seja, ele não tem auto confiança. Já outras pessoas, totalmente inseguras, até para falar em público, não demonstram um pingo de ciúme de ninguém.
Assim, não posso definir ciúme como um sentimento geral, mas como um vasto complexo de sentimentos, que juntos podem gerar um comportamento indesejável.
Há ciúmes familiares, conjugais, nas relações de trabalho.
Algumas vezes o ciúme mostra de fato a insegurança, de modo que se eu tenho que me definir agora o que penso, em poucas palavras, diria, um ego mal formatado.
As pessoas que “se acham”, numa linguagem atual, jamais são ciumentas. Elas se bastam. Não carecem da aprovação alheia, então pouco se lhes dá que sentimentos tenham por eles.
Não adianta buscarmos nos relacionamentos os porquês.
Evidentemente, muita gente pensa: meu marido tem ciúme de mim. Nada mais errado. Ele é ciumento. Característica dele. O ciumento sempre busca um objeto para ser o alvo do seu sentimento deformado.
Se é genético, ou comportamento aprendido, o fato é que curar um ciumento não é fácil. Nem sei se é possível. É possível transferir a relação objectal para outro alvo. Então o alvo inicial diz: Ele tinha muitos ciumes de mim, mas não agora, porque bla bla bla....Errado. Ele é ciumento, e transferiu o alvo para outro objeto.
Um ciumento pode ser eventualmente “curado”, fazendo-se com que aflorem nele outras terríveis “qualidades”, como o sentimento de se bastar, ser auto suficiente, ser melhor que todos.
Um narcisista não tem ciúmes. Ou melhor dizendo, não é ciumento. Ele está na categoria dos que “se acham”.
O ciumento é possessivo, impulsivo, compulsivo, inseguro, tem baixa auto estima, e com certeza é infeliz.
Consegue fazer da vida dos alvos o inferno, com suas eternas desconfianças, medo de traições, medo de ser abandonado, medo de não continuar merecendo atenção do alvo.
Para continuar com o que supostamente tem, pode ir desde presentear, mimar o alvo, até atitudes violentas que chegam a matar o alvo. “Se não é meu, não será de mais ninguém”.
Os alvos são qualquer um que esteja na reta de ataque. Não é muito importante se é a esposa, a filha, o filho, o emprego, o chefe. Quem ou o que estiver lá quando o ciumento define seu alvo, é quem é, ou o que será o objeto de sua possessividade, de seu rancor, de suas raivas, de sua agressividade.
A vida dos alvos é sempre um inferno. Mas o ciumento sofre também. Faz sofrer e sofre. Sofre porque na maioria das vezes todos os seus receios são infundados. Ele imagina situações, sofre pelas antecipações, cria coisas em sua mente.
Numa situação que um indivíduo “normótico” ( neologismo) nem se toca, ele vê dragões e perigos.
É o rei dos “ E SE?” Os perigos sempre involvem perdas, ele tem um medo irracional de perder, muitas vezes o que nem tem, mal julga ter.
Cuidado ao usar a palavra Ciúme. Muitos pensam que é apenas um sentimentozinho sem maior importancia, um apego maior a alguem ou a algo. Não é. É uma das psicopatologia mais horrorosas que há, onde o doente sofre e o atingido por ele também.
terça-feira, 20 de maio de 2008
terça-feira, 13 de maio de 2008
Caso muito triste
Estava evitando escrever sobre este assunto. Uma, porque já tem gente demais escrevendo, outra, porque ainda não sabemos com certeza o que aconteceu. E eu me pego pensando o dia todo em seu rosto, e consigo até mesmo voltar aos meus cinco anos, e creia quem quiser, lembro de tudo, de minha curiosidade pelo mundo, de minha alegria em viver.
Mas não vou esquivar-me de falar sobre o que poderia ter acontecido. Posso estar cometendo o maior erro de minha vida. Posso estar sendo injusta com inocentes. Se estiver, voltarei aqui e farei uma retratação pública.
Então, este artigo deveria chama-se SE... Se tivesse ocorrido desta forma.
Embora psicanalista, sou humana. Humanos erram. Mas humanos admitem seus erros.
Ressalva feita, suponhamos que seja como o Dr. Cembranelli descreve, como a perícia explica.
Não sou advogada, vou ficar fora do mérito do que deve acontecer daqui para a frente. Vou pensar no que houve antes disso.
Uma Ana, com um N só, bobinha, engravida do namorado. Coisa mais comum no mundo. Não se casam, a família assume a filha com a neta. Fazem o certo.
O pai da menina não faz o certo. Ou fez? Quem não quis se casar? Não sei. Tratava bem a menina? Quem sabe agora?
Uma coisa é fato. Junta-se a outra Anna, essa com dois N. Que lhe dá dois meninos, e vivem juntos. Num dado momento se casam.
Corriqueiro até aqui.
O espanto começa para a sociedade quando a menina morre. E o véu de dúvidas começa a ser levantado.
Não sou julgadora de nada, nem formadora de opinião. Que fique claro, sou uma psicanalista, entendo apenas da psique humana.
Uma Anna pode ter ciúmes da outra Ana. Nem vamos nos perguntar porque. Vamos nos ater ao que tem sido dito. Geniosa, temperamento forte, dominadora. O marido fraco, dominado pelo pai, apaixonado pela Anna de dois N.
Se a Anna começou a matar, e o Alexandre terminou, um dia saberemos. Ou nunca.
Mas suponhamos que foi assim. E o espanto é enorme. Por que?
Queria poder analisar cada um deles. Uma Anna de dois N que poderia ter ciúmes da Ana de um N, e irrita-se com a presença da menina, ela faz com que a rival ( na cabeça dela) continue presente em sua vida, como uma sombra que impede sua felicidade.
Um Alexandre que aos 29 anos ainda depende do pai para resolver seus problemas.
Onde estão os erros?
É difícil não fazer juízo de valor, e assim mesmo ter que dizer alguma coisa. Mas ali nenhum dos dois estava certo. Viver às custas dos pais não é certo. Viver emocionalmente dependente dos pais não é certo.
Faltou educação, na acepção mais simples da palavra.
"Meu filho, você engravidou esta moça?" - Assuma sua responsabilidade e sua filha.
Não é tampando o Sol com a peneira que se vai a lugar algum.
Vejo a entrevista dos dois na Globo e concordo com a posição do psiquiatra que fez a análise posterior. As lágrimas não convencem. As expressões forçadas muito menos.
O mundo virou de cabeça para baixo. Neste último mês quantas tentativas de matar filhos surgiram? Hoje mesmo leio sobre uma delas. As crianças têm medo, o mundo tem medo.
Puxo a brasa para minha sardinha. Educar não é apenas mandar para a escola, é ensinar valores imutáveis, e ao menor sinal de que algo não vai bem é passar por uma terapia. Nem todo mundo pode ter o que acha que pode. Não pode ficar o "eu quero" prevalecendo sobre o certo.
Pais não podem fazer todas as vontades dos filhos, pois o senso de limite deve ser colocado cedo, ou então jamais o será.
Não é dando apartamento, carro, pagando o supermercado que se ajuda um filho. É dando a ele as condições de fazer isso por si mesmo. Ou ele jamais assumirá nada nesta vida.
Não é tolerando uma pessoa tão nervosa a ponto de quebrar vidraças com as mãos que se faz um casamento.
Por que os pais não viram que seus filhos tinham problemas? Por que eles mesmos não reconheceram isso depois? Essa segunda pergunta é até mais fácil de responder. Seriam apenas mal educados, ou seriam psicóticos?
Nada que uma psicanálise não definisse. Mas que deve ter sido algo que jamais passou pela cabeça deles.
E aí estava o circo armado para que a tragédia acontecesse: dois psicopatas, uma criança indefesa.
Uma briga banal, e o inevitável. Isabella está morta. Nada poderá trazê-la de volta.
Questiona-se se a Ana de 1 N tem culpa. Discute-se se a Anna de 2 N é assassina, se o Alexandre é assassino. Isto a justiça dirá. Ou não, em um país corrupto até a raiz.
Mexeu com todos nós. Trouxe-nos de volta a inocência dos nossos cinco anos.
As vidas de todos jamais serão as mesmas. Mais um caso muito, muito triste.
E meus pacientes, meus amigos da comunidade do Orkut me perguntam: Por que sentimos esta ambivalência, esta "dó" do casal preso?
Por falta de certeza. Apenas por isso. Não espero confissão. Ainda que sejam os culpados, porque quem é capaz de tal crime não tem um ego normal. Não são neuróticos como nós. São psicóticos, e psicóticos não têm a dimensão do certo e do errado.
Merecem dó sim. Sejam ou não os culpados, e tudo indica que sejam, e seja, psicopatas ou psicóticos, têm um ego deformado, e já foram julgados pela sociedade. Não interessa que recebam Habeas Corpus. Não importa que num posterior julgamento sejam declarados inocentes. Isabella não voltará mais, deixando a Ana de 1 N sentindo o vácuo da maternidade castrada depois de menos de 6 anos. A sociedade nunca mais esquecerá. Dizem que o povo tem memória curta. Não acho. Na hora que outro crime acontecer, Isabella será citada.
Tenho dó também. Tenho dó de qualquer ser que não teve a oportunidade de corrigir sua psique enquanto era tempo.
Nenhum tempo de cadeia limpará está desgraça. E é uma pena. Mas que sirva para que nós façamos uma profunda reflexão sobre nós mesmos, nossos filhos, nossos netos.
E a cada momentos nos perguntemos se nosso id, nosso ego e nosso superego estão dimensionados de modo certo. Lágrimas não os acertarão, nem cadeias. Ficou tarde demais para todos.
Mas não vou esquivar-me de falar sobre o que poderia ter acontecido. Posso estar cometendo o maior erro de minha vida. Posso estar sendo injusta com inocentes. Se estiver, voltarei aqui e farei uma retratação pública.
Então, este artigo deveria chama-se SE... Se tivesse ocorrido desta forma.
Embora psicanalista, sou humana. Humanos erram. Mas humanos admitem seus erros.
Ressalva feita, suponhamos que seja como o Dr. Cembranelli descreve, como a perícia explica.
Não sou advogada, vou ficar fora do mérito do que deve acontecer daqui para a frente. Vou pensar no que houve antes disso.
Uma Ana, com um N só, bobinha, engravida do namorado. Coisa mais comum no mundo. Não se casam, a família assume a filha com a neta. Fazem o certo.
O pai da menina não faz o certo. Ou fez? Quem não quis se casar? Não sei. Tratava bem a menina? Quem sabe agora?
Uma coisa é fato. Junta-se a outra Anna, essa com dois N. Que lhe dá dois meninos, e vivem juntos. Num dado momento se casam.
Corriqueiro até aqui.
O espanto começa para a sociedade quando a menina morre. E o véu de dúvidas começa a ser levantado.
Não sou julgadora de nada, nem formadora de opinião. Que fique claro, sou uma psicanalista, entendo apenas da psique humana.
Uma Anna pode ter ciúmes da outra Ana. Nem vamos nos perguntar porque. Vamos nos ater ao que tem sido dito. Geniosa, temperamento forte, dominadora. O marido fraco, dominado pelo pai, apaixonado pela Anna de dois N.
Se a Anna começou a matar, e o Alexandre terminou, um dia saberemos. Ou nunca.
Mas suponhamos que foi assim. E o espanto é enorme. Por que?
Queria poder analisar cada um deles. Uma Anna de dois N que poderia ter ciúmes da Ana de um N, e irrita-se com a presença da menina, ela faz com que a rival ( na cabeça dela) continue presente em sua vida, como uma sombra que impede sua felicidade.
Um Alexandre que aos 29 anos ainda depende do pai para resolver seus problemas.
Onde estão os erros?
É difícil não fazer juízo de valor, e assim mesmo ter que dizer alguma coisa. Mas ali nenhum dos dois estava certo. Viver às custas dos pais não é certo. Viver emocionalmente dependente dos pais não é certo.
Faltou educação, na acepção mais simples da palavra.
"Meu filho, você engravidou esta moça?" - Assuma sua responsabilidade e sua filha.
Não é tampando o Sol com a peneira que se vai a lugar algum.
Vejo a entrevista dos dois na Globo e concordo com a posição do psiquiatra que fez a análise posterior. As lágrimas não convencem. As expressões forçadas muito menos.
O mundo virou de cabeça para baixo. Neste último mês quantas tentativas de matar filhos surgiram? Hoje mesmo leio sobre uma delas. As crianças têm medo, o mundo tem medo.
Puxo a brasa para minha sardinha. Educar não é apenas mandar para a escola, é ensinar valores imutáveis, e ao menor sinal de que algo não vai bem é passar por uma terapia. Nem todo mundo pode ter o que acha que pode. Não pode ficar o "eu quero" prevalecendo sobre o certo.
Pais não podem fazer todas as vontades dos filhos, pois o senso de limite deve ser colocado cedo, ou então jamais o será.
Não é dando apartamento, carro, pagando o supermercado que se ajuda um filho. É dando a ele as condições de fazer isso por si mesmo. Ou ele jamais assumirá nada nesta vida.
Não é tolerando uma pessoa tão nervosa a ponto de quebrar vidraças com as mãos que se faz um casamento.
Por que os pais não viram que seus filhos tinham problemas? Por que eles mesmos não reconheceram isso depois? Essa segunda pergunta é até mais fácil de responder. Seriam apenas mal educados, ou seriam psicóticos?
Nada que uma psicanálise não definisse. Mas que deve ter sido algo que jamais passou pela cabeça deles.
E aí estava o circo armado para que a tragédia acontecesse: dois psicopatas, uma criança indefesa.
Uma briga banal, e o inevitável. Isabella está morta. Nada poderá trazê-la de volta.
Questiona-se se a Ana de 1 N tem culpa. Discute-se se a Anna de 2 N é assassina, se o Alexandre é assassino. Isto a justiça dirá. Ou não, em um país corrupto até a raiz.
Mexeu com todos nós. Trouxe-nos de volta a inocência dos nossos cinco anos.
As vidas de todos jamais serão as mesmas. Mais um caso muito, muito triste.
E meus pacientes, meus amigos da comunidade do Orkut me perguntam: Por que sentimos esta ambivalência, esta "dó" do casal preso?
Por falta de certeza. Apenas por isso. Não espero confissão. Ainda que sejam os culpados, porque quem é capaz de tal crime não tem um ego normal. Não são neuróticos como nós. São psicóticos, e psicóticos não têm a dimensão do certo e do errado.
Merecem dó sim. Sejam ou não os culpados, e tudo indica que sejam, e seja, psicopatas ou psicóticos, têm um ego deformado, e já foram julgados pela sociedade. Não interessa que recebam Habeas Corpus. Não importa que num posterior julgamento sejam declarados inocentes. Isabella não voltará mais, deixando a Ana de 1 N sentindo o vácuo da maternidade castrada depois de menos de 6 anos. A sociedade nunca mais esquecerá. Dizem que o povo tem memória curta. Não acho. Na hora que outro crime acontecer, Isabella será citada.
Tenho dó também. Tenho dó de qualquer ser que não teve a oportunidade de corrigir sua psique enquanto era tempo.
Nenhum tempo de cadeia limpará está desgraça. E é uma pena. Mas que sirva para que nós façamos uma profunda reflexão sobre nós mesmos, nossos filhos, nossos netos.
E a cada momentos nos perguntemos se nosso id, nosso ego e nosso superego estão dimensionados de modo certo. Lágrimas não os acertarão, nem cadeias. Ficou tarde demais para todos.
quinta-feira, 8 de maio de 2008
A difícil arte de criar filhos
Gente, quanto mais eu vivo, quanto mais eu analiso, mais eu vejo como a raiz dos problemas está na infância.
Tenho certeza de que não estou inaugurando nada ao dizer isso. Mas nunca é demais falar.
Talvez seja uma das coisas mais importantes do mundo, já que disso vão sair os adultos felizes ou infelizes, e ninguém sequer pensa nisso quando quer casar.
O amor é lindo, a natureza é bela, os amores acontecem, e onde é que alguém se preparou para ser pai ou mãe? Quando foi que houve uma escola ensinando como ser pais conscientes?
Parece que ter filhos é coisa instintiva. Sejam eles feitos antes do casamento, ou sem casamento, depois do casamento, ou adotados, será que não passa mesmo na cabeça de ninguém que criar filhos é uma coisa que deveria ser estudada?
Absolutamente tudo o que somos é reflexo de nosso desenvolvimento infantil. O resto se tira de letra.
Quando um paciente aparece com um distúrbio pós traumático, alguma coisa que aconteceu porque sofreu um assalto, um sequestro, um acidente, isso não é muito difícil de resolver.
O bicho pega mesmo é quando depois de mil negativas ( e como se nega!) sobre a maravilhosa criação que tiveram, achamos o rabinho do capeta lá na fase oral, ou na anal, ou ouvimos o denguinho da Electra, ou o Édipo que não se encontra em nada.
Neuróticos, psicóticos, psicopatas, todo mundo teve infância. E dela se tornaram quem são.
Culpa de quem? Mãe e Pai.
Não vou deixar barato não. Freud culpava só as mães. Isso para as negas dele. Ele tinha uma diferença com o pai, histórica, quem duvida pode olhar na Santa Internet.
Jung nem fala das mães....Vai direto ao Pai. Meio diferente, mas é o pai.
O bichinho é bonitinho mesmo, não dá para negar. Cheiram bem, cheirinho de nenê não tem nada igual. Fazem gracinhas ( e sabem quando estão agradando, ora se...),
e a gente bestamente acha que são apenas anjinhos.
Criar um filho sem traumas não é para qualquer um. Viver em cima dos livros, querendo saber como se cria o filho vira neura, nóia.
Quem não tem, não sabe como é, já dizia o Poeta. Quem tem sabe o que é...
E os bichinhos são antenados. Já tem antenas até antes de nascer. As terapias de regressão provam isso.
E aí começa um festival de fase oral, fase anal, fase genital...Se os pais fazem de um jeito, erram de outro. Se fazem de outro jeito, erram de um.
E não adianta falar: Ai, meu filho é maravilhoso, passou em primeiríssimo lugar no concurso tal...
Tem mais é que se perguntar: Será que meu filho é feliz?
E nem precisam se perguntar, porque do jeito que vocês fizerem, sempre vão errar.
Os tempos mudam, as coisas mudam. "No meu tempo" é coisa que não vale mais...
Tenho certeza de que não estou inaugurando nada ao dizer isso. Mas nunca é demais falar.
Talvez seja uma das coisas mais importantes do mundo, já que disso vão sair os adultos felizes ou infelizes, e ninguém sequer pensa nisso quando quer casar.
O amor é lindo, a natureza é bela, os amores acontecem, e onde é que alguém se preparou para ser pai ou mãe? Quando foi que houve uma escola ensinando como ser pais conscientes?
Parece que ter filhos é coisa instintiva. Sejam eles feitos antes do casamento, ou sem casamento, depois do casamento, ou adotados, será que não passa mesmo na cabeça de ninguém que criar filhos é uma coisa que deveria ser estudada?
Absolutamente tudo o que somos é reflexo de nosso desenvolvimento infantil. O resto se tira de letra.
Quando um paciente aparece com um distúrbio pós traumático, alguma coisa que aconteceu porque sofreu um assalto, um sequestro, um acidente, isso não é muito difícil de resolver.
O bicho pega mesmo é quando depois de mil negativas ( e como se nega!) sobre a maravilhosa criação que tiveram, achamos o rabinho do capeta lá na fase oral, ou na anal, ou ouvimos o denguinho da Electra, ou o Édipo que não se encontra em nada.
Neuróticos, psicóticos, psicopatas, todo mundo teve infância. E dela se tornaram quem são.
Culpa de quem? Mãe e Pai.
Não vou deixar barato não. Freud culpava só as mães. Isso para as negas dele. Ele tinha uma diferença com o pai, histórica, quem duvida pode olhar na Santa Internet.
Jung nem fala das mães....Vai direto ao Pai. Meio diferente, mas é o pai.
O bichinho é bonitinho mesmo, não dá para negar. Cheiram bem, cheirinho de nenê não tem nada igual. Fazem gracinhas ( e sabem quando estão agradando, ora se...),
e a gente bestamente acha que são apenas anjinhos.
Criar um filho sem traumas não é para qualquer um. Viver em cima dos livros, querendo saber como se cria o filho vira neura, nóia.
Quem não tem, não sabe como é, já dizia o Poeta. Quem tem sabe o que é...
E os bichinhos são antenados. Já tem antenas até antes de nascer. As terapias de regressão provam isso.
E aí começa um festival de fase oral, fase anal, fase genital...Se os pais fazem de um jeito, erram de outro. Se fazem de outro jeito, erram de um.
E não adianta falar: Ai, meu filho é maravilhoso, passou em primeiríssimo lugar no concurso tal...
Tem mais é que se perguntar: Será que meu filho é feliz?
E nem precisam se perguntar, porque do jeito que vocês fizerem, sempre vão errar.
Os tempos mudam, as coisas mudam. "No meu tempo" é coisa que não vale mais...
quarta-feira, 7 de maio de 2008
Casamento
Casamento em geral
Casar ou viver junto, é tudo a mesma coisa.
A partir do momento em que duas pessoas decidem ficar juntas não interessa se houve festa, papéis, ou se juntaram as coisas. É vida em comum.
Existem muitos tipos de casamento. Os mais usuais são aqueles em que os dois se conhecem, namoram por um tempo, "sentem" se é isso mesmo que querem e então se casam. Vou usar o termo casar para todas as situações de vida em comum.
Neste tipo de relação existe mais tempo de ver se os interesses são pelo menos parecidos, se pode existir um relacionamento razoável com as famílias de cada um, se têm aproximadamente a mesma educação, instrução, etc.
Mesmo neste casamento nem tudo são flores o tempo todo.
Dizem que só se conhece bem alguém depois que comem juntos um saco de sal ( de 60 kgs). Nem todos os eventos que podem ocorrer em um casamento podem ser previstos antes.
Podem ocorrer doenças, desemprego, um filho com problemas, uma sogra ou sogro que venha a viver com o novo casal ( e seus filhos).
Hábitos que antes passavam despercebidos podem se tornar irritantes.
Outra coisa...Mal e porcamente temos aí uns 50 anos desde que a mulher brasileira começou a se preparar para ter sua vida profissional, antes era sempre a "rainha do lar".
Mas, na mesma medida em que a classe média começou a ter médicas, advogadas, corretoras, as empregadas domésticas também, e com direito, começaram a desaparecer, ou a cobrar bem mais caro pelos seus serviços, de tal forma que hoje em dia muitos só podem pagar faxineiras, e devem sozinhos cuidar de preparar refeições, arrumar a casa, fazer camas, tudo o que antes era jogado por cima de empregadas ( uma categoria que ficava entre a escrava e a profissional).
Os homens não tinham sido educados para o trabalho doméstico, assim como as mulheres não tinham responsabilidades nas despesas da casa.
Os mais novos, sim. A geração que hoje está em seus 40, 50 anos, não.
E aí começaram os atritos. Os ganhos do marido se reduziram pela entrada massiva da mulher no mercado de trabalho,
reduzindo as vagas, a mulher começou a precisar mais da ajuda de um homem que não tinha sido educado para secar um prato. E os atritos foram inevitáveis.
Só mesmo nas novelas uma mulher que trabalha 8 horas por dia tem tempo de cozinhar, levar filhos à escola, fazer compras, arrumar a casa e estar esperando o marido desejosa de amor.
Esta é piada!
Inevitáveis foram as separações. Muitas. Inevitável foi o divórcio chegando ao Brasil, inevitável foi a geração de transição, que começou a ser filha do divórcio.
Mas estamos superando esta fase. Em 50, ou 60 anos encontramos todos os tipos de relacionamentos que se possam imaginar.
Mulheres ganhando mais que maridos, coisa impossível de se imaginar há algum tempo, homens cuidando de bebês, filhos tendo responsabilidades domésticas.
Mas a atração entre as pessoas continuou a haver, e os casamentos a existir.
E a mulher começou também a pensar mais, saber o que era auto estima, muitos homens se assustaram, outros até gostaram de não serem os únicos responsáveis. O fato é que ainda está ocorrendo a transição.
Juntou-se a isto um avanço imenso nas comunicações, veio a intenet, já havia uma crise financeira grande... e o que temos? Um mundo de divórcios, de separações doídas, e nascem novos relacionamentos e novos tipos de relacionamentos.
E se não bastasse isso, que já é muito, o mundo parece ter encolhido, e começaram a aparecer os relacionamentos entre pessoas de países diferentes, de culturas totalmente diversas, educações que não tem nada a ver uma com a outra.
E os casamentos deixaram de passar pelo longo namoro, pelo noivado. Hoje dorme-se com o namorado antes mesmo de resolver se ele é namorado. Vive-se com o namorado antes de oficializar a relação.
Quando um dos dois é estrangeiro o prazo é curto, as leis não dão tempo a que o estrangeiro conheça bem o outro.
E as pessoas se casam baseadas em poucos dados que lhes parecem suficientes. Mas não são.
E além de passarem pelo período difícil do ajuste, ainda são pressionadas pelo
governo que decide se eles podem ou não ficar juntos. Parece brincadeira!Dão a você 6 meses para ficar por lá, e depois ou casa ou volta! ( Estou falando de casamentos internacionais)
Casamento não é fácil. Já é complicado cuidar do nosso próprio ego, de superar nossos próprios traumas, e de repente temos ao nosso lado um outro ser, do qual não sabemos quase nada, e temos outro ego batendo contra o nosso!
É uma relação muito difícil. Dividir a vida, a cama, o corpo, conseguir ter ideais comuns, metas iguais! Nem sei como isto, por milagre pode funcionar.
No caso do casamento entre nacionalidades diferentes há a barreira cultural, a barreira de idioma, e principalmente, falando como brasileira que sou, é muito difícil para brasileiros interagir positivamente com estrangeiros, em termos da linguagem de sinais.
Só o brasileiro entende expressões faciais ( será que somos mesmo macacos?), o famoso jeitinho brasileiro de ser. O estrangeiro é mais rígido, sua cultura é mais estratificada, e o lado emocional é digamos...meio inexistente.
É uma relação muito mais complicada do que a relação entre pessoas do mesmo país. Pode, na verdade, ser muito enriquecedora, para ambos os lados, mas pode ser devastadora. Como em qualquer casamento.
Indo para o campo da psicanálise, o que observo nestes casamentos? Há como que uma fascinação inicial. Até mesmo inveja de quem não fez a mesma coisa. Mas quem está na relação é que sabe se é válido ou não.
Muito se perde por não falarem a mesma lingua. Ainda que um dos dois aprenda, um falará sua lingua, e o outro não. A expressão falada é importante. Até xingar na língua alheia não tem o mesmo sabor. Dê uma topada e me diga.
A criação dos filhos, as interferências dos sogros, cunhados e agregados, os tipos de festas, as idéias sobre dinheiro, tudo é diferente.
Casar com um estrangeiro equivale em escala maior a casar com um brasileiro de outro nível socio-econômico, de outra formação.
Equivale a um dos dois ter que ser mais cordato, e muitas vezes aí vem a perda da auto estima.Sabem, que muito abaixa mostra as calças...
Há pessoas com um poder de adaptação enorme. Outras não tem o mesmo.
Este tópico é para todos os casamentos. Para lembrar que pode ser seu primeiro, segundo ou quinto casamento. Pode ser seu casamento com brasileiro(a) ou estrangeiro(a). Todos irão apresentar dificuldades que se acentuam muito se muita gente interfere. Os antigos diziam: Quem casa quer casa, bem longe da casa onde se casa.
Nada de sogros e sogras, cunhados e tias dando palpite. Só quem sabe de sua vida é você. Cuide de sua auto estima, independente de com quem vc. se casou. Valorize-se mas não precisa desvalorizar o outro. Há espaço para dois.
Lembre-se que os filhos são filhos dos dois. Evite muito amigos intrometidos. E como você não é mais criança, não se deixe traumatizar por nada. Se notar que o casamento está sendo uma lavagem cerebral, termine. Seus filhos irão para o psicólogo, sim, mas isto não é fim de mundo.
Não pense que as pessoas mudam. Elas nunca mudam. Só se for para pior.
Pense em sua psique, no tempo que lhe custou para formá-la, pense em como foi difícil livrar-se de seus complexos e traumas ( se é que já se livrou), e não assuma mais nenhum. Coloque-se em primeiro lugar, até acima de seus filhos. Jamais aceite gritos, ordens ( você casou, não entrou para o exército), e especialmente ABUSOS.
Abuso se corta desde o primeiro. Se não for assim, um dia pode acabar muito mal.
Faça balanços periódicos de sua vida. Reserve parte de você, de seu tempo, para você mesmo(a). Casar não é fundir dois seres em um só. Compartilhar não quer dizer virar escravo de ninguém, nem um ser teratológico, xifópago.
Tem coisas que gosta de fazer? Pois faça. NINGUÉM tem direito de impedir. Ele gosta de esporte? Você não? Pois ele vá. Você não precisa ir. Ele não gosta que você vista isso ou aquilo? Ignore. Nem tente convencer, muito menos faça acordos.
E principalmente: Não deixe o ciúme tomar conta de sua vida. Ou eu tenho que contar a velha piada do cafezinho?
Quem quer trair trai, e o faz debaixo de seu nariz. Alguma dúvida?
Casar ou viver junto, é tudo a mesma coisa.
A partir do momento em que duas pessoas decidem ficar juntas não interessa se houve festa, papéis, ou se juntaram as coisas. É vida em comum.
Existem muitos tipos de casamento. Os mais usuais são aqueles em que os dois se conhecem, namoram por um tempo, "sentem" se é isso mesmo que querem e então se casam. Vou usar o termo casar para todas as situações de vida em comum.
Neste tipo de relação existe mais tempo de ver se os interesses são pelo menos parecidos, se pode existir um relacionamento razoável com as famílias de cada um, se têm aproximadamente a mesma educação, instrução, etc.
Mesmo neste casamento nem tudo são flores o tempo todo.
Dizem que só se conhece bem alguém depois que comem juntos um saco de sal ( de 60 kgs). Nem todos os eventos que podem ocorrer em um casamento podem ser previstos antes.
Podem ocorrer doenças, desemprego, um filho com problemas, uma sogra ou sogro que venha a viver com o novo casal ( e seus filhos).
Hábitos que antes passavam despercebidos podem se tornar irritantes.
Outra coisa...Mal e porcamente temos aí uns 50 anos desde que a mulher brasileira começou a se preparar para ter sua vida profissional, antes era sempre a "rainha do lar".
Mas, na mesma medida em que a classe média começou a ter médicas, advogadas, corretoras, as empregadas domésticas também, e com direito, começaram a desaparecer, ou a cobrar bem mais caro pelos seus serviços, de tal forma que hoje em dia muitos só podem pagar faxineiras, e devem sozinhos cuidar de preparar refeições, arrumar a casa, fazer camas, tudo o que antes era jogado por cima de empregadas ( uma categoria que ficava entre a escrava e a profissional).
Os homens não tinham sido educados para o trabalho doméstico, assim como as mulheres não tinham responsabilidades nas despesas da casa.
Os mais novos, sim. A geração que hoje está em seus 40, 50 anos, não.
E aí começaram os atritos. Os ganhos do marido se reduziram pela entrada massiva da mulher no mercado de trabalho,
reduzindo as vagas, a mulher começou a precisar mais da ajuda de um homem que não tinha sido educado para secar um prato. E os atritos foram inevitáveis.
Só mesmo nas novelas uma mulher que trabalha 8 horas por dia tem tempo de cozinhar, levar filhos à escola, fazer compras, arrumar a casa e estar esperando o marido desejosa de amor.
Esta é piada!
Inevitáveis foram as separações. Muitas. Inevitável foi o divórcio chegando ao Brasil, inevitável foi a geração de transição, que começou a ser filha do divórcio.
Mas estamos superando esta fase. Em 50, ou 60 anos encontramos todos os tipos de relacionamentos que se possam imaginar.
Mulheres ganhando mais que maridos, coisa impossível de se imaginar há algum tempo, homens cuidando de bebês, filhos tendo responsabilidades domésticas.
Mas a atração entre as pessoas continuou a haver, e os casamentos a existir.
E a mulher começou também a pensar mais, saber o que era auto estima, muitos homens se assustaram, outros até gostaram de não serem os únicos responsáveis. O fato é que ainda está ocorrendo a transição.
Juntou-se a isto um avanço imenso nas comunicações, veio a intenet, já havia uma crise financeira grande... e o que temos? Um mundo de divórcios, de separações doídas, e nascem novos relacionamentos e novos tipos de relacionamentos.
E se não bastasse isso, que já é muito, o mundo parece ter encolhido, e começaram a aparecer os relacionamentos entre pessoas de países diferentes, de culturas totalmente diversas, educações que não tem nada a ver uma com a outra.
E os casamentos deixaram de passar pelo longo namoro, pelo noivado. Hoje dorme-se com o namorado antes mesmo de resolver se ele é namorado. Vive-se com o namorado antes de oficializar a relação.
Quando um dos dois é estrangeiro o prazo é curto, as leis não dão tempo a que o estrangeiro conheça bem o outro.
E as pessoas se casam baseadas em poucos dados que lhes parecem suficientes. Mas não são.
E além de passarem pelo período difícil do ajuste, ainda são pressionadas pelo
governo que decide se eles podem ou não ficar juntos. Parece brincadeira!Dão a você 6 meses para ficar por lá, e depois ou casa ou volta! ( Estou falando de casamentos internacionais)
Casamento não é fácil. Já é complicado cuidar do nosso próprio ego, de superar nossos próprios traumas, e de repente temos ao nosso lado um outro ser, do qual não sabemos quase nada, e temos outro ego batendo contra o nosso!
É uma relação muito difícil. Dividir a vida, a cama, o corpo, conseguir ter ideais comuns, metas iguais! Nem sei como isto, por milagre pode funcionar.
No caso do casamento entre nacionalidades diferentes há a barreira cultural, a barreira de idioma, e principalmente, falando como brasileira que sou, é muito difícil para brasileiros interagir positivamente com estrangeiros, em termos da linguagem de sinais.
Só o brasileiro entende expressões faciais ( será que somos mesmo macacos?), o famoso jeitinho brasileiro de ser. O estrangeiro é mais rígido, sua cultura é mais estratificada, e o lado emocional é digamos...meio inexistente.
É uma relação muito mais complicada do que a relação entre pessoas do mesmo país. Pode, na verdade, ser muito enriquecedora, para ambos os lados, mas pode ser devastadora. Como em qualquer casamento.
Indo para o campo da psicanálise, o que observo nestes casamentos? Há como que uma fascinação inicial. Até mesmo inveja de quem não fez a mesma coisa. Mas quem está na relação é que sabe se é válido ou não.
Muito se perde por não falarem a mesma lingua. Ainda que um dos dois aprenda, um falará sua lingua, e o outro não. A expressão falada é importante. Até xingar na língua alheia não tem o mesmo sabor. Dê uma topada e me diga.
A criação dos filhos, as interferências dos sogros, cunhados e agregados, os tipos de festas, as idéias sobre dinheiro, tudo é diferente.
Casar com um estrangeiro equivale em escala maior a casar com um brasileiro de outro nível socio-econômico, de outra formação.
Equivale a um dos dois ter que ser mais cordato, e muitas vezes aí vem a perda da auto estima.Sabem, que muito abaixa mostra as calças...
Há pessoas com um poder de adaptação enorme. Outras não tem o mesmo.
Este tópico é para todos os casamentos. Para lembrar que pode ser seu primeiro, segundo ou quinto casamento. Pode ser seu casamento com brasileiro(a) ou estrangeiro(a). Todos irão apresentar dificuldades que se acentuam muito se muita gente interfere. Os antigos diziam: Quem casa quer casa, bem longe da casa onde se casa.
Nada de sogros e sogras, cunhados e tias dando palpite. Só quem sabe de sua vida é você. Cuide de sua auto estima, independente de com quem vc. se casou. Valorize-se mas não precisa desvalorizar o outro. Há espaço para dois.
Lembre-se que os filhos são filhos dos dois. Evite muito amigos intrometidos. E como você não é mais criança, não se deixe traumatizar por nada. Se notar que o casamento está sendo uma lavagem cerebral, termine. Seus filhos irão para o psicólogo, sim, mas isto não é fim de mundo.
Não pense que as pessoas mudam. Elas nunca mudam. Só se for para pior.
Pense em sua psique, no tempo que lhe custou para formá-la, pense em como foi difícil livrar-se de seus complexos e traumas ( se é que já se livrou), e não assuma mais nenhum. Coloque-se em primeiro lugar, até acima de seus filhos. Jamais aceite gritos, ordens ( você casou, não entrou para o exército), e especialmente ABUSOS.
Abuso se corta desde o primeiro. Se não for assim, um dia pode acabar muito mal.
Faça balanços periódicos de sua vida. Reserve parte de você, de seu tempo, para você mesmo(a). Casar não é fundir dois seres em um só. Compartilhar não quer dizer virar escravo de ninguém, nem um ser teratológico, xifópago.
Tem coisas que gosta de fazer? Pois faça. NINGUÉM tem direito de impedir. Ele gosta de esporte? Você não? Pois ele vá. Você não precisa ir. Ele não gosta que você vista isso ou aquilo? Ignore. Nem tente convencer, muito menos faça acordos.
E principalmente: Não deixe o ciúme tomar conta de sua vida. Ou eu tenho que contar a velha piada do cafezinho?
Quem quer trair trai, e o faz debaixo de seu nariz. Alguma dúvida?
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Aprendendo a dizer NÃO
Esta talvez seja uma das coisas mais difíceis de se aprender.
Sabe por que?
Defeito de educação. Não era “legal” ser do contra, daí aprendemos a concordar com o que não queríamos. Começamos a fazer aquilo que não estávamos com vontade.
E chegou o dia que você precisava dizer um sonoro Não, e ele não saiu.
Ficou atravessado em sua garganta, em seu peito, e virou um dos sapos que você engoliu.
É hora de aprender a dizer NÃO. Diga Não como exercício, várias vezes, olhando-se ao espelho. Experimente caras diferentes ao dizer este não. Rosto inocente, rosto sarcástico, rosto sorridente. Mas faça isso urgente.
Depois chegou a hora do teste. Vá a uma loja qualquer. Olhe algo que você gostaria de ter. Prove. Peça para ver outras cores, outros modelos, e no final diga NÃO.
Você então pode dizer NÃO. Ou não pode?
Aí é a hora de dizer Não às pessoas que devem ouvir este NÃO sonoro.
Espere e sonhe com ele. Talvez a vítima nem mereça, mas em Psicanálise quem conta é você. Espere a primeira pessoa que venha lhe pedir algo e diga o não, calmamente, e depois a sós meça sua reação.
Depois de várias vezes, você saberá quando deve e quando não deve dizer isto.
Mas terá aprendido.
Quem já sabe dizer NÃO?
Esta talvez seja uma das coisas mais difíceis de se aprender.
Sabe por que?
Defeito de educação. Não era “legal” ser do contra, daí aprendemos a concordar com o que não queríamos. Começamos a fazer aquilo que não estávamos com vontade.
E chegou o dia que você precisava dizer um sonoro Não, e ele não saiu.
Ficou atravessado em sua garganta, em seu peito, e virou um dos sapos que você engoliu.
É hora de aprender a dizer NÃO. Diga Não como exercício, várias vezes, olhando-se ao espelho. Experimente caras diferentes ao dizer este não. Rosto inocente, rosto sarcástico, rosto sorridente. Mas faça isso urgente.
Depois chegou a hora do teste. Vá a uma loja qualquer. Olhe algo que você gostaria de ter. Prove. Peça para ver outras cores, outros modelos, e no final diga NÃO.
Você então pode dizer NÃO. Ou não pode?
Aí é a hora de dizer Não às pessoas que devem ouvir este NÃO sonoro.
Espere e sonhe com ele. Talvez a vítima nem mereça, mas em Psicanálise quem conta é você. Espere a primeira pessoa que venha lhe pedir algo e diga o não, calmamente, e depois a sós meça sua reação.
Depois de várias vezes, você saberá quando deve e quando não deve dizer isto.
Mas terá aprendido.
Quem já sabe dizer NÃO?
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