sábado, 19 de setembro de 2009

Indústria do Medo



De repente você só ouve falar em gripe suína, Tamiflu e vacinas. E você não é de ferro! Isto dá neura. Especialmente se você começa a ver TV demais, ou a ver sites que têm compromisso sabe-se lá com quem.


Ora, vamos ser francos. Nós sabemos que a ganância de certos grupos não tem limites. Que lhes importa se morrerem 5 mil, 10 mil, contanto que as contas bancárias engordem na casa dos milhões de dólares?
Não sejamos ingênuos. Há algo de podre no Reino da Dinamarca. Ninguém explica nada a ninguém, a boataria corre solta. Aproveitam um momento de crise econômica, e explodem uma neurose coletiva. O pior é que o povo aceita sem questionar.
Que existe algo sinistro, isso existe. Mas eu diria sem medo de errar que nisso, nós brasileiros levamos vantagem. Nós sempre fomos desconfiados. Não deixamos algo assim ( vide figura) sem que seja explicado, e não é qualquer explicação que nos convence.
Não nos pegamos em que: "Está na Constituição..." E daí? Não aceitamos nada suspeito. O brasileiro por sua mistura étnica é de natureza mais esperto, mais malicioso, e alguém venha me dizer que isso é ruim, para ver...
Nossos colegas de planeta sempre confiaram demais. Nós não. Não vou dizer que aqui é o paraíso na Terra, porque não é. Mas sempre me causou espécie que tantos de nós saíamos da nossa zona de conforto para ir tentar ficar rico. Bom, agora parece que a situação se inverte, e vai ser muito engraçado se gringos pelejarem para conseguir o nosso yellow card aqui. Vou rir muito.
Isto aqui, em um blog de psicanálise, é para mostrar que jamais se deve considerar algo como garantido. A arrogância deles era mundialmente conhecida. Está mudando muito... E como!
Amigos, o que importa chama-se consciência em paz. O resto que se lixe. Não tivemos os carrões de luxo, nem as mansões hipotecadas, mas tínhamos nossos carrinhos que andavam e nossas casas ou apês pagos ou dentro de um esquema de pagamentos que cabia em nosso magro orçamento. Não começaram de repente a nos deixar na rua da amargura.
Isso em parte por sabermos colocar o chapéu onde a mão alcança. Por outro lado, porque não confiamos integralmente em ninguém. Temos nossos defeitos, sim. Quem não os tem? Mas não nos pegaram de calças nas mãos.
Depois o brasileiro tem uma vantagem. Onde comem tres, comem quatro. Onde dormem cinco, dormem seis. Temos e que tenhamos sempre, aquele dom de pensar nos outros. Nunca achamos que se o filho tem 18 anos é hora de largar o ninho. Larga-se o ninho quando se pode. E aqui é comum muitos trabalharem para manter uma só casa.
Poderia falar horas sobre nossas diferenças, mas todos já sabem. E sabemos também para quem são os caixões da figura.
Terrível, mas verdadeiro. Sou atéia, mas se vocês não são, que seu deus tenha piedade deles.
Nós estamos bem, obrigada, acostumados com nossos problemas.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O triste fim da vida

Escolhi de propósito um quadro de Picasso. Assim ninguém vai achar que parece com A ou B. Sem falar mal do Picasso...

Bom quero falar sobre a morte.
Não é a primeira vez que falo aqui sobre morrer. E nem será a última. Nada mais natural, uma vez que nascemos, que outro destino poderíamos ter?

Começamos a morrer no dia em que nascemos. Do berço à sepultura é um átimo no tempo. Ficam nossas boas ações, ou más, e com certeza não teremos agradado a todos.

Mas hoje queria me ater a um fato cruel em nossa sociedade. A solidão daqueles que estão para morrer.

E para que não fique alguma coisa muito abstrata vou contar o milagre sem falar qual o santo.

Uma pessoa que não conheço, mas que é conhecido de gente muito próxima a mim, está morrendo.

Como a morte sempre tem uma desculpa, esta pessoa está com uma doença incurável, para a qual a medicina ainda não tem solução.

E é uma pessoa que sofre.

Não vou fazer apologia ao moribundo, nem dizer que ele era uma ótima pessoa, ou é ainda, mas vou falar da solidão.

Nestas horas, ou você tem muito dinheiro ( olha que terror), ou se torna um estorvo para a família.

Um filho não pode acompanhar no hospital porque mora em outro estado. A filha não pode porque tem emprego, a ex mulher está dando aleluias que ele se vá logo, e os que ainda cuidam reclamam do infeliz que não pode ir ao banheiro sozinho, que tem de ser alimentado na boca...

E isso me faz lembrar de um velho ditado mineiro: Um pai cuida dez filhos, e dez filhos não cuidam um pai.

Fosse o velho rico, estariam todos à sua volta, mas não é. Não vou ater-me apenas ao lado material. Existe também a angústia dos que o amam, que nada podem fazer a não esperar que a morte o livre do sofrimento, que pode estender-lhe por semanas.

Nestas horas eu francamente sou pela eutanásia, ou pelo menos pela ortonásia, e penso em que um dia serei eu, a depender de uma alma caridosa a me trocar a roupa suja, a me dar um gole de água. Se dependesse de mim, gostaria de morrer dormindo, em meio a um sonho gostoso, que se desvaneceria e eu iria para lugar algum. Também não iria querer aquele ambiente todo asseptico de um hospital, cheirando a desintante ( logo eu que tenho horror ao cheiro de cloro) e família á minha volta, esperando o médico dizer: foi-se.....para então começarem as brigas por despesas com velório e sepultamento.

Gente, gente...Paguem estas porcarias enquanto podem. Decidam se querem doar órgãos, se querem ir para hospital quando estiverem mal, se querem ser sepultados ou cremados. Deixem isso claro, e se tiverem bens, deixem claro também quem fica com o que.

Mas se forem pobres como este infeliz que tem vivido de caridade de filhos ( também nunca foi bom pai), e agora o que pode esperar.

Desejo que se vá logo. Quando não há mais remédio, remediado está. E que descanse, embora eu seja atéia de carteirinha, quem sabe estou errada? E que dê descanso à família.

Serve para pensarmos na efemeridade da vida. Em que nossas vidas são muito curtas, e que jamais queremos pensar que um dia ela acaba. Mas acaba, então por que não deixar tudo organizado? Milagres acontecem? Raramente. Este sujeito vai melhorar? Não, a doença dele não permite melhoras. O que o pobre ainda está sofrendo aqui? Nestas horas eu acho o mundo muito cruel. Morrer deveria ser evaporar, sumir, desintegrar-se, e da pessoa restar apenas o que ela deixou de bom ou de mau.

Desculpem tão triste texto, mas os filhos vão chorar uns dias, e a vida continua. Esta é a lei.


Tempo de Reflexão


Todo mundo precisa um tempo de reflexão, vez por outra.

Para interiorizar-se, pensar no que já viveu, no que quer fazer. Se não houvessem estes tempos, estas pausas seríamos extremamente robotizados.

E eu tenho meus tempos. Fecho-me dentro de mim, coloco no piloto automático e vou vivendo a vida sem muito alarde, ponderando no que já houve, no que possivelmente haverá, nos erros e nos acertos.


É assim que se cresce. Escolhi esta figura horrorosa, para fazer pensar mesmo. Nem sempre tudo são flores na vida. Muitas vezes as nuvens são densas, como em um filme de terror.
Faz algum tempo que não venho aqui. Mas não estava ausente. Estava apenas dentro de mim mesma, analisando meus passos na vida.
Quantos fazem isso? Quantos dão paradas no dia a dia e pensam em suas existências? Quantos deixam de se robotizar por um mês, dois, um ano? Não há um juiz para dizer: É você tem agido certo. Não, não tem. Mas você mesmo pode se avaliar.
Não estou dizendo que você tem que ser o bonzinho, o perfeito. Nem tem que ser nada, quantas vez digo isso? Mas precisa estar feliz consigo mesmo.
E de repente nos sentimos automatizados, e não sabemos se estamos indo junto com o rebanho ou estamos sendo nós mesmos. Aí é a hora de parar e pensar. Quem sou eu? O que tenho eu feito por essa pessoa que vejo no espelho? Eu me reconheço ou a cada vez que me olho me pareço mais estranha?
E então é o momento, doa o quanto doer, de retomar o caminho que você quer. Não o que a sociedade lhe impõe, coitada, ela não tem este poder. Mas você tem, e deve, para seu próprio bem, ser você, do jeito que gosta, sem querer saber se agrada gregos ou troianos.
Porisso estive olhando o mundo de fora. Consertei umas coisas, mexi em outras, e finalmente me encontrei e gostei da pessoa que vi no espelho.
Pelo menos consegui sorrir para ela, e dizer: Ah! Afinal nos encontramos de novo!
Por vocês mesmos, façam seus tempos de reflexão. Não é preciso se isolar nas montanhas do Tibet. Nem deixar seu emprego. Nada. Mas analise cuidadosamente o que está dentro de seus pensamentos, se está contaminado ou se é tudo seu. Exclua o que não for seu. Vai se sentir muito melhor!


segunda-feira, 8 de junho de 2009

Resposta a um comentário

Marco disse...
Oi amiga Márcia! Prazer comentar pela primeira vez aqui. Eu já conhecia seu blog. Temas muito interessantes mesmo. Gosto demais destes temas da "juventude de nossos dias" e dos "psicopatas". Apesar de trabalhar na área da saúde, não sou psiquiatra. Por isso, foi bom relembrar algumas coisas bem "curiosas" sobre os psicopatas. Por exemplo, o fato de que podem viver uma vida inteira sem causar maiores danos. Não procurei estes dados na web, mas você sabe me dizer as estimativas que fazem sobre qual o percentual de psicopatas na população humana? Recentemente, assisti um documentário na TV à cabo sobre os assim chamados na psiquiatria de "Distúrbios de Personalidade" ("psicopatas"), e seus subtipos. Era da BBC inglesa, com legendas. Conheço alguém próximo ao meu convívio que tem o diagnóstico fechado quanto a este problema. Acho essa a mais emblemática das doenças em toda a medicina, pois é MUITO "curioso" (ou triste) quando confrontamos a pessoa doente, MOSTRAMOS a ela que a conduta x, y e z delas são de uma grave doença e, mesmo assim, eles não têm a capacidade de enxergar a realidade. Incrível! Uma espécie de "cegueira de alma"(perdão, mas você sabe das minhas conviccções de que somos corpo e espírito e de que NADA no Universo é por acaso). É mesmo defeito de fábrica! A medicina já tentou de tudo para curar, e nada! Como um psiquiatra famoso aqui em SP já comentou, "é a AIDS da psiquiatria". Curiosidade: o psiquiatra que ouvi comentar isso é um poço de frieza e narcicismo que POUQUÍSSIMAS VEZES vi na vida. MUITO inteligente, é fato, inclusive sendo chefe da psiquiatria de um IMPORTANTÍSSIMO hospital aqui de SP. Mas se você ouvisse o que EU ouvi ele falando ao celular, próximo de onde eu estava... Não deixa de ser macabro: o perigo assim, tão próximo e disfarçado de inteligência. Fecho o diagnóstico para ele??? ;) Beijão!


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Caro Marco, obrigada pelo feedback.



É sempre bom receber algum estímulo, isto me faz continuar.

Infelizmente, Marco, cerca de 2% da população tem psicopatia em um determinado grau. Nem sempre a vida toda, algumas vezes são episódios, mas eu sou das que acredita, se aconteceu uma vez, não importa em que recôndito da "alma" está guardado, pode acontecer de novo.



Você diz "confrontar" um psicopata? Que coragem...



Mas não sei se podemos ter diagnósticos fechados. Cada cabeça, uma sentença, e de médico e de louco todos nós temos um pouco. O narcisista é um dos piores que conheço, pois é difícil de ser diagnosticado. Tem quem diga que tenho uma pirraça pessoal com eles, talvez seja fato. Mas fato mesmo é que pouco a terapia pode fazer por estes infelizes. Prefiro recomendar distância, não a eles, mas deles!



Escreva sempre. Foi um prazer receber seu comentário, e decidi publicá-lo.

domingo, 15 de março de 2009

ATÉ ONDE PODEMOS IR?


Creio que este texto seja mais sociológico que psicanalítico, mas há algo de convergência nas duas coisas.

Viver é uma das mais difíceis artes. Não é algo que se faz sem pensar. Cada pequena atitude nossa se reflete em uma gama imensa de conseqüências.

Vou falar sobre um monstro que muitos conhecem e que pode destruir mais que uma arma. Vou falar um tipo maldito e sua táticas.

Há um tipo de manipulador que se faz de coitado, de sofredor, de infeliz, de vítima.

Ele jamais é culpado de nada, muito pelo contrário, ele é a figura da bondade. Todos na cidade o conhecem, mas não sabem quem é a peste dentro de casa.

Se sai com a família é apenas sorrisos, gentilezas, mas dentro de casa é uma besta fera.

Ele arma as situações mais esdrúxulas para que as coisas saiam erradas, porque precisa culpar alguém. Não fica feliz jamais se não tiver reclamações a fazer.

Chega ao cúmulo de sugerir atitudes á família, para que quando esta atenda, ele negue que sugeriu e venha com um saco de impropérios.

Ele manipula tudo para poder ter o que reclamar, e adora gritar.

Adora ameaçar.

Ameaça sair de casa e deixar a família na miséria, alegando que é maltratado, mas se for paparicado reclama que não tem um minuto de sossego dentro de casa, aproveita a deixa e sai, sabe-se lá para onde.

Se a água do chuveiro está quente demais é culpa de alguém que “deve” ter mexido no chuveiro, logicamente a água não ficaria quente por nada... Se alguém fica doente é culpa da pessoa que “quer” gastar com médicos e remédios.

E enquanto isso ele pede à filha que vá lá fora debaixo de chuva pegar algo que ele deixou propositalmente, para um dia poder causar-lhe uma gripe.

Tem que ser fiscalizado vinte e quatro horas por dia, pois gosta de desaparecer com objetos de primeiríssima necessidade, para poder culpar alguém pelo desaparecimento daquilo.

Esbarra “acidentalmente” em um vaso de flores para culpar o gato, pois quando se descobre o dano ele está assistindo um filme, e nada viu.

Desaparece com correspondência importante que o filho está esperando de um emprego ao qual se candidatou, para depois poder chamá-lo de vagabundo, de inútil.

E não é só o homem que faz isso. Pode ser a mulher. Pode ser a mãe dela, a mãe dele. Pode ser qualquer um na casa.

É uma doença. Esta pessoa só fica feliz de fato quando consegue ver lágrimas nos olhos dos outros.

É aquela pessoa que come além do necessário, apenas para não sobrar para quem vai chegar mais tarde.

E sempre se precavendo para passar pelo cúmulo da bondade, um exemplo de ser humano.

É capaz de riscar o carro com uma pedra ou tesoura, para depois culpar a família toda. É capaz de esconder um artigo de primeira necessidade e colocá-lo no local mais impossível.

Estas atitudes são patológicas, claro, e são de manipulação, pois o ofendido é quem as arma, e geralmente é quem vai ser o prejudicado.

Sugere muito, se fazendo passar por bom. Passeios, viagens. No caso de um marido faz a mulher reservar hotel, reservar passagens, e depois desaparece com o dinheiro que estava guardadinho, culpando alguém, passando-se por vítima.

Agora não podemos mais ir! Mas eu acho o infeliz que fez isso!

E instiga a dúvida entre os moradores da casa.

Chega aos limites de sumir com trabalhos escolares prontos que os filhos deveriam entregar apenas para poder xingar, chamá-los de irresponsáveis.

Louco? Não. Ruindade patológica. A única forma que acha de ser feliz.

É impossível conviver com pessoas assim. Totalmente impossível. E geralmente são as que detem o poder econômico, de tal modo que os familiares agüentam por falta de opção.

Já vi isso tanto em mulheres como em maridos. Já vi isso em sogras e em filhos.

Não concordam com tratamentos psicológicos de ninguém, dizem que é frescura.

Então venho com uma pergunta: Até onde se pode agüentar? Até onde se deve ir?

Quando a situação chega a limites, alguém tenta até o suicídio, ainda acha quem culpar.

É muito difícil. Porisso tantas tragédias acontecem em família.